Uma espécie de lagosta é capaz de se reproduzir sem necessidade de parceiro

Pesquisadores descobriram que o crustáceo já gerou bilhões de clones, que estão espalhados pelo mundo

por João Paulo Martins 07/03/2018 14:09

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Klaus Rudloff/Aquariofilia.net/Reprodução
Cientistas descobriram que a lagosta mármore (Procambarus virginalis), uma espécie invasora encontrada em várias partes do mundo, é capaz de se clonar (foto: Klaus Rudloff/Aquariofilia.net/Reprodução)
Imagine um animal que é capaz de se reproduzir sem a necessidade de parceiro? Um grupo internacional de cientistas descobriu que a lagosta mármore (Procambarus virginalis) é capaz de se clonar e que todos os indivíduos existentes no planeta, hoje, seriam descendentes de uma única fêmea, que era criada em cativeiro.

O resultado do estudo foi publicado no periódico científico Nature Ecology and Evolution, em fevereiro deste ano. Segundo os pesquisadores, após realizarem o sequenciamento do DNA da espécie, foi constatado que, por algum motivo, a fêmea da lagosta sofreu uma mutação que deixou capaz de se reproduzir por conta própria, ou seja, de forma assexuada – por meio de um método intitulado partenogênese.

Os bilhões de clones (número estimado) da Procambarus são todos do gênero feminino e estão, há 30 anos, duplicando e se espalhando por todas as partes do mundo. Para o biólogo molecular Frank Lyko, do Centro Alemão de Pesquisas do Câncer, um dos autores do estudo, essa situação pode ser considerada uma verdadeira "invasão dos clones". A informação foi divulgada em matéria publicada no site da revista Nature.

A fala do cientista corrobora para o fato de que a lagosta mármore é considerada uma das espécies mais invasoras do mundo, podendo ser encontrada em várias regiões da Europa, da África e da Ásia. Inclusive, o crustáceo vem causando sérios danos aos ecossistemas em que está presente.

"A origem do fenômeno, por enquanto, ainda é desconhecida", comenta Frank Lyko. O biólogo, que foi o primeiro a descrever a espécie, em 2015, revela que escolheu o nome científico Procambarus virginalis por fazer referência à virgindade – já que a lagosta não procria de forma sexuada (com diferenciação entre macho e fêmea).

O especialista esclarece que, há anos, muitos criadores escolheram essa espécie porque ela se reproduz facilmente e sempre gera indivíduos economicamente viáveis. Lyko diz ainda que uma única Procarambus é capaz de depositar centenas de ovos de uma só vez.

Porém, o cientista alemão esclarece que ainda não é possível dizer em que local do mundo a primeira fêmea da espécie era criada em cativeiro. Ele supõe que tenha sido na Alemanha ou nos Estados Unidos. A única certeza dos pesquisadores é de que ela é descendente de lagostas que vivem em rios (Procambarus fallax) e que são muito comuns na Flórida, nos EUA – a diferença é que se reproduzem de forma sexuada.

Apesar dos problemas que vem causando, a lagosta mármore, conforme explica Frank Lyko, pode ajudar nas pesquisas sobre o câncer, inclusive no desenvolvimento de tumores nos seres humanos. Isto porque esta doença também é originária de uma mutação celular. "Estamos vendo, em câmera lenta, a evolução desses animais, algo que acontece durante as primeiras etapas da formação de um tumor", revela o cientista alemão, em entrevista para a revista National Geographic.

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