Luto não é doença, mas demanda acompanhamento médico, em alguns casos

Especialista fala sobre como é importante o apoio de um profissional no momento da perda de um ente querido

por Da redação com assessorias 07/03/2018 15:49

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pixabay
(foto: Pixabay)
Quando um ente querido morre, é normal que a pessoa sofra com os sentimentos que surgem a partir deste fato. Porém, se não houver o devido acompanhamento e preparo para entender essa perda, o enlutado pode ter a saúde física e mental prejudicadas. Na maioria dos casos graves de saúde e doenças terminais, a atenção médica e psicológica é voltada integralmente ao paciente e não há uma preparação adequada dos familiares e cuidadores.

na verdade, todos que estão ligados ao paciente terminal merecem também uma atenção especial para enfrentar o momento da perda de forma sadia. "O luto acontece e precisa ser vivido. Cada pessoa reage a essa perda de uma forma diferente. Alguns têm sintomas psicológicos e até físicos relacionados ao luto e precisam ter um claro entendimento do médico. Um alerta é que, em muitos casos, esse momento é diagnosticado como depressão, o que não deve ser feito", explica o médico André Silva, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Ele lembra que existe a necessidade da vivência do luto, pois, se não acontece após a morte, poderá voltar em qualquer outra fase da vida da pessoa. De qualquer forma, é um processo individual, assim como as reações. O luto é o "preço que se paga pelo amor", na opinião do especialista, e nos leva a uma revisão de valores.

O médico esclarece que as sensações mais comuns no luto são tristeza, raiva, culpa e auto-recriminação, ansiedade, solidão, fadiga, desamparo, choque, anseio, emancipação, alívio, estarrecimento. Podem ainda ocorrer reações físicas, como vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, hipersensibilidade ao barulho, sensação de despersonalização, falta de ar ou respiração curta, fraqueza muscular, falta de energia e boca seca. Existem também comportamentos característicos como distúrbios do sono, falta de apetite, isolamento social, sonhos com a pessoa que faleceu e vontade de evitar tudo que possa remeter à pessoa que faleceu.

André Silva lembra que, quando a pessoa enlutada está com problemas que impactam a saúde, o médico precisa ter a sensibilidade de entrar no mundo dela e não ter receio em falar inclusive sobre religião, mesmo que o profissional seja ateu ou agnóstico. Outros tópicos que auxiliam no atendimento é ajudar o paciente a se dar conta da perda e a identificar e expressar os sentimentos.

Esse tempo do luto deve ser analisado de pessoa para pessoa, principalmente quando o histórico de relacionamento é levado em conta. "Todos nós perdermos entes queridos e pessoas muito próximas. Algumas perdas são inesperadas e mesmo as já esperadas, de pacientes com graves doenças, são difíceis de aceitar para algumas pessoas. Deixar-se viver esse luto é de certa maneira até saudável. É preciso analisar todo um contexto familiar e social para proporcionar um luto saudável, sem danos à saúde e também sem confundi-lo com depressão. A relação médico-paciente é fundamental nesse quesito", completa André.

Últimas notícias

Comentários