Apesar de estarmos no Outono, combate ao Aedes aegypti deve ser constante

Especialista fala sobre a dificuldade em acabar com o mosquito da dengue, zika, chikungunya e febre amarela

por Da redação com assessorias 27/03/2018 12:50

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Marcos Santos/Jornal da USP/Divulgação
(foto: Marcos Santos/Jornal da USP/Divulgação)
Com a chegada do Outono, o calor intenso e os períodos de chuva tendem a diminuir. Apesar das novas condições – clima mais seco e frio – não serem tão propícias para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, ele continua em busca de locais para procriar. Portanto, o controle dos criadouros do mosquito deve permanecer contínuo para que epidemias das arboviroses – dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana – não sejam uma ameaça ao longo do ano.

"As ações de combate ao Aedes aegypti têm que ser cotidianas, intensivas e diuturnas. Precisam fazer parte das nossas necessidades e obrigações essenciais. Se potenciais criadouros forem eliminados em definitivo nas épocas de baixa incidência de dengue, por exemplo, não serão necessariamente as chuvas e o calor que viabilizarão as epidemias. Se tiver chuva e calor, mas não tiver reservatório com água empoçada, onde o mosquito possa por seus ovos, a epidemia não acontece", comenta o epidemologista Bernardino Alves Souto, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Para ele, as medidas adotadas pelo Brasil para combater as arboviroses não se mostram eficazes. "A prova disso é que a dengue voltou ao país na década de 1980 e as epidemias têm vindo cada vez mais próximas umas das outras, cada vez com maiores incidências e maior letalidade. Além disso, novas doenças transmitidas pelo mesmo vetor estão surgindo", diz o especialista.

Ainda conforme o professor, o problema das arboviroses no Brasil está ligado a questões mais amplas como o planejamento urbano inadequado; sistemas precários de limpeza urbana e de drenagem pluvial; ocupação desordenada do espaço; construção e distribuição irregulares de moradias; e um sistema de coleta, tratamento e destinação do lixo ineficaz. "Além disso, há falta de educação e ausência de investimentos em formação cidadã para o cuidado com a saúde coletiva e com o meio ambiente e negligência política e social em relação à saúde pública", acrescenta Bernardino Souto.

O professor da UFSCar afirma que as medidas e diretrizes de combate às arboviroses adotadas pelos governos são ineficientes por não terem como foco a origem sistêmica do problema e por serem frágeis cientificamente. "Não quero dizer que devemos deixar de lado o que tem sido feito até agora, mas continuarmos limitados ao que já é feito, significa assumirmos que não há disposição nem interesse em combater efetivamente as arboviroses urbanas em nosso país", critica o especialista.

Do ponto de vista das pesquisas atuais, Bernardino Souto diz que vários estudos têm sido feitos no sentido de encontrar possibilidades de controle do Aedes por estratégias químicas ou biológicas, além dos esforços na produção de vacinas. "No entanto, até agora nenhum desses estudos resultou em algo prático que seja epidemiologicamente útil", pondera.

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