Apesar de terem mais estudo, mulheres ganham menos que os homens no Brasil

IBGE aponta que a mulher com curso superior ganha 75% do homem com o mesmo cargo

por Encontro Digital 07/03/2018 11:21

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(foto: Pixabay)
Segundo o estudo Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil, divulgado nesta quarta, dia 7 de março, véspera do Dia Internacional das Mulheres, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mesmo sendo maioria entre as pessoas com ensino superior completo no Brasil, o público feminino ainda enfrenta desigualdade no mercado de trabalho em relação aos homens.

Tomando por base a população de 25 anos de idade ou mais, com ensino superior completo em 2016, as mulheres somam 23,5%, e os homens, 20,7%. Quando se comparam os dados com homens e mulheres de cor preta ou parda, os percentuais são bastante inferiores: 7% entre os homens e 10,4% entre mulheres.

Em relação ao rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos e razão de rendimentos, por sexo, entre 2012 e 2016, as mulheres ganham, em média, 75% do que os homens recebem. Isso significa que as mulheres têm rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos no valor de R$ 1.764, enquanto os homens, de R$ 2.306.

Para a economista Betina Fresneda, analista da gerência de Indicadores Sociais do IBGE, os resultados educacionais não se refletem necessariamente no mercado de trabalho. Segundo ela, as mulheres, por terem nível de instrução maior do que os homens, não deveriam ganhar o mesmo salário, em média, deles. "Deveriam estar ganhando mais, porque a principal variável que explica o salário é a educação. Você não só não tem um salário médio por hora maior, como na verdade essa proporção é menor", comenta a especialista.

Também a taxa de frequência escolar líquida ajustada no ensino médio em 2016 exibe maior percentual de mulheres (73,5%) do que de homens (63,2%). A média no Brasil atingiu 68,2%. Estudos mostram que o ambiente escolar é mais adequado ao tipo de criação dado às meninas, em que se premia a disciplina, por exemplo, afirma a analista do IBGE. "Tem mais a ver então com características da criação das meninas. Outros estudos mostram que, a partir do ensino médio, por exemplo, os homens começam a conciliar mais estudo e trabalho do que as mulheres. Diversos fatores que estão associados a papéis de gênero", diz Betina.

Estruturas econômicas

De acordo com o estudo, o tempo dedicado aos cuidados de pessoas ou a afazeres domésticos é maior entre as mulheres (18,1 horas por semana), do que entre os homens (10,5 horas por semana). Na média registrada no Brasil, são dedicadas por homens e mulheres 14,1 horas por semana a esse tipo de trabalho. "Por qualquer nível de desagregação que a gente faça, seja por regiões, como por raça ou por grupo de idade, há mulheres se dedicando com um número de horas bem maior do que os homens a esse tipo de trabalho", ressaltou Caroline Santos, pesquisadora do IBGE.

Para ela, esse indicador é importante porque dá visibilidade a um trabalho não remunerado, que é executado pelas mulheres, dentro de casa. E tem pouca visibilidade. Por regiões, verifica-se que no nordeste, as mulheres dedicam um número maior de horas a cuidados, nesse tipo de atividade (19 horas por semana, contra 10,5 horas semanais dos homens).

Caroline destaca ainda que, por cor ou raça, existe o agravante histórico, característico da formação do país, em que as mulheres pretas ou pardas se dedicam mais a esse tipo de trabalho não remunerado. Conforme a análise do IBGE, as mulheres pretas ou pardas dedicam 18,6 horas semanais para cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, contra 17,7 horas entre as mulheres brancas.

(com Agência Brasil)

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