Quanto mais tempo a pessoa fica obesa, maiores são os danos causados no coração, diz estudo

Mesmo após o emagrecimento, os danos do período de sobrepeso se mantêm

por Correio Braziliense 09/03/2018 11:19

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Conforme o estudo da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, a pessoa que fica obesa por muito tempo acaba tendo danos irreversíveis no coração (foto: Pixabay)
Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, de Maryland, nos Estados Unidos, sugere que as pessoas que convivem com o excesso de peso por muitos anos acabam tendo mais problemas no coração. Segundo os pesquisadores, quanto maior o tempo de "briga com a balança", maior é o risco para o sistema cardiovascular, devido ao impacto causado pelo sobrepeso à musculatura cardíaca. E o pior: o perigo se mantém mesmo quando a pessoa emagrece.

"Indivíduos que têm ou tiveram obesidade apresentam maior probabilidade de lesão do miocárdio", comenta Chiadi Ndumele, professor-assistente da Johns Hopkins e principal autor do estudo.

A pesquisa, que foi publicada na revista científica Clinical Chemistry, analisou os dados obtidos pelo levantamento Atherosclerosis Risk in Communities (Risco de Aterosclerose em Comunidades, na tradução livre), realizado com 9.062 voluntários, com idade entre 45 e 64 anos, que residiam em quatro cidades americanas entre os anos 1985 e 2016.

Para formar o banco de dados, homens e mulheres foram visitados quatro vezes, tiveram o peso, o índice de massa corporal (IMC), o histórico de doença cardíaca e os níveis da enzima troponina (faz a contração do coração) avaliados. As analisar o resultado do levantamento, a equipe da Unievrsidade Johns Hopkins descobriu que quase 23% dos recrutados sofreram aumento do IMC de entre 1987 e 1998, sendo que, na quarta visita, 3.748 (41%) estavam com excesso de peso e 3.184 (35%) estavam obesos.

Pela avaliação dos níveis de troponina, indicador clínico para dano cardíaco, os cientistas americanos concluíram que a cada 10 anos de obesidade, aumenta em 26% a quantidade dessa substância no corpo do indivíduo com excesso de peso. "No estudo, avaliamos como o histórico de sobrepeso e de obesidade desde os 25 anos foi associado com altos níveis de troponina na velhice", afirma Chiadi Ndumele. A maior vulnerabilidade permaneceu mesmo quando havia risco de doença cardíaca devido a hipertensão, diabetes e doença renal.

O pesquisador lembra que os mecanismos que ligam a obesidade a danos no miocárdio, responsáveis, por exemplo, pelos infartos, ainda não são precisos, mas que o estudo foi capaz de mostrar que as condições comumente associadas ao excesso de peso, como hipertensão, diabetes e colesterol alto, não são justificativas para essa conexão, uma vez que os resultados foram semelhantes entre aqueles que tinham e os que não tinham tais condições. "Temos a hipótese de que o excesso de gordura exerce, provavelmente, efeitos tóxicos diretos no coração, por meio de cargas de pressão mais elevadas; pelos efeitos nocivos no músculo cardíaco; e pela inflamação do tecido adiposo", completa o cientista.

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