Pesquisadora da UFMG conquista prêmio em Paris pelos estudos de zika e Chagas

A cientista mineira estuda formas de evitar o avanço dos patógenos causadores dessas doenças

22/03/2018 13:55

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L'ORÉAL/Divulgação
A pesquisadora Rafaela Ferreira, da UFMG, conquistou mais um prêmio, desta vez, em Paris, por seus estudos sobre zika vírus e doença de Chagas (foto: L'ORÉAL/Divulgação)
A pesquisadora mineira Rafaela Ferreira, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), conquistou em Paris, na quarta, dia 21 de março, um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco), que reconhece o trabalho de mulheres cientistas que mais se destacaram no mundo em 2017.

Única representante da América Latina entre as 15 vencedoras do International Rising Talents (talentos internacionais em ascensão, numa tradução livre), Rafaela recebeu uma premiação de 15 mil euros (cerca de R$ 59,7 mil) para dar continuidade a uma pesquisa que busca desenvolver medicamentos para o tratamento do zika vírus e da doença de Chagas.

A cientista ganhou, no ano passado, a versão brasileira dessa premiação, o Para Mulheres na Ciência. Com esse reconhecimento, ela espera obter mais apoio e visibilidade para o desenvolvimento da pesquisa. "De um ponto de vista mais prático, o problema que a gente tem é o alto investimento necessário para desenvolver um medicamento, e que vai ficando cada vez caro maior conforme o avanço do seu estágio do desenvolvimento", explica a pesquisadora mineira. Conhecidas como doenças negligenciadas, o Chagas e a zika historicamente não atraem o interesse da indústria farmacêutica.

"O Chagas, por exemplo, foi descrito há mais de 100 anos [pelo cientista brasileiro Carlos Chagas] e até hoje a indústria simplesmente não investe muito nisso porque é uma doença que afeta países mais pobres. É muito importante ter um esforço de instituições públicas para que a gente possa avançar no desenvolvimento desses fármacos", observa Rafaela Ferreira.

Descobertas

Na pesquisa liderada pela cientista, o objetivo é descobrir moléculas que sejam capazes de alterar a estrutura de funcionamento do protozoário causador da doença de Chagas e do vírus que provoca a febre zika, inibindo, assim, a ação desses agentes no corpo humano.

De acordo com a pesquisadora, já foram analisadas mais de 400 mil moléculas em complexos programas computacionais e algumas delas foram identificadas como "promissoras".

"Nosso trabalho aqui é o desenvolvimento de fármacos no seu estágio inicial, que é a descoberta de moléculas promissoras. Depois disso, elas ainda precisam ser avaliadas em modelos animais, passar por vários testes de segurança e, finalmente, os ensaios clínicos, nos quais essas moléculas são avaliadas em humanos para analisar eficácia e segurança do medicamento", comenta Rafaela. No caso do zika vírus, os inibidores sintéticos estão sendo preparados para testes futuros em células cerebrais (neurônios) dos bebês com microcefalia, para que possam degradar a ação do micro-organismo e interromper os efeitos da doença.

(com Agência Brasil)

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