Para especialista, pessoas precisam das teorias da conspiração para 'entender' o mundo

Illuminati, dominação judaica, são várias as teorias que permeiam o imaginário popular

por João Paulo Martins 02/03/2018 11:55

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(foto: Pixabay)
Com certeza você já deve ter ouvido falar nos chamados "illuminati", suposta "seita" que trabalha nos bastidores do poder em todo o mundo. A influência que os inúmeros bilionários exercem na política global também vem criando suspeitas na população. Mas, será que os illuminati, figuras constantes das teorias da conspiração, realmente existem?

Quem fala sobre como as teorias da conspiração exercem influência em nosso mundo é Michael Wood, professor de psicologia da Universidade de Winchester, da Inglaterra. "Os illuminati eram uma verdadeira sociedade secreta no final do século XVIII. Eles eram os chamados 'Illuminati da Baviera' e faziam parte da maçonaria. Porém, os illuminati foram banidos pelo governo da Baviera [na Alemanha] e acabaram desaparecendo", diz o especialista, em entrevista para a agência russa de notícias Sputnik.

O professor revela que existem teorias de que os illuminati participaram dos bastidores da Revolução Francesa, sendo responsáveis até pela queda do governo do rei Luís XVI e da rainha Maria Antonieta – foram decapitados na guilhotina em 1793. "Provavelmente essa é uma das primeiras coisas que reconheceríamos como sendo teoria da conspiração. Como eram tão influentes, as pessoas ainda continuam falando dos illuminati, mesmo que, na prática, não existam há centenas de anos", diz o professor da Universidade de Winchester.

Para Michael Wood, para além desse grupo que habita o imaginário das pessoas, atualmente, existe outra parcela da população que sempre é acusada de fazer parte dos momentos fatídicos da humanidade: os judeus. "A ideia da conspiração judaica no mundo era uma crença medieval muito antiga. Ela dizia que os judeus estavam conspirando entre si. Depois, no início do século XX, com a divulgação dos supostos protocolos dos anciãos do Monte Sião, os documentos forjados tinham como objetivo provar que os judeus estariam conspirando para conquistar o mundo", conta o especialista.

Questionado sobre como surgem tantas teorias da conspiração, que continuam fascinando as pessoas, mesmo no século XXI, em que a tecnologia faz parte de nosso dia a dia e a informação está na palma da mão, Wood explica que não há uma resposta certa. "Para alguns, tem a ver com a sensação de controle. Então, quando as pessoas sentem que não têm controle sobre suas próprias vidas ou sobre o que está ocorrendo à sua volta, preferem não acreditar no que está acontecendo no mundo. Eles consideram insuficientes as explicações existentes. As teorias da conspiração surgem para ocupar esse vazio", afirma o psicólogo.

Conforme o especialista, as conspirações fazem com que as pessoas tenham uma visão de mundo capaz de explicar "tudo" o que está acontecendo e, ao mesmo tempo, ajudam a dividir o mundo entre o bem e o mal, o certo e o errado. "E faz com que elas pensem que sabem exatamente porque as coisas são de tal forma e como solucionar possíveis problemas. As teorias da conspiração podem formar uma visão de mundo muito coerente nesse sentido", comenta Michael Wood.

(com Agência Sputnik)

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