Cientistas encontram grande quantidade de microplásticos nas águas do oceano Ártico

Essas partículas microscópicas são muito perigosas para a vida marinha e para o homem

por Correio Braziliense 25/04/2018 16:43

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(foto: Pixabay)
Quando se vê as belas fotografias das regiões árticas da Terra, não é possível dimensionar a poluição "oculta" em suas águas. Depois de investigar amostras das cinco pontos do oceano Ártico, especialistas do Instituto Alfred Wegener e do Centro Helmohlz para Pesquisa Polar e Marinha, ambos na Alemanha, descobriram que as águas aparentemente límpidas que circundam o continente gelado estão repletas de lixo. A cada litro do líquido, há 12 mil partículas microplásticas, uma quantidade muito superior ao que se imaginava. A razão de só agora os cientistas terem a dimensão real da poluição marinha está no tamanho desses resíduos, quase todos microscópicos.

Além de mensurar a sujeira no mar gelado, os pesquisadores conseguiram identificar a possível origem da poluição. Trata-se de uma cadeia poluente: de acordo com os cientistas, que publicaram os resultados na revista Nature Communications, muitas dessas partículas são provenientes de uma "massiva" quantidade de lixo despejado no oceano Pacífico que, por sua vez, apresenta grande percentual de tinta e náilon, provavelmente originárias da atividade pesqueira e das embarcações do oceano Ártico. O que não deixa dúvida para as equipes é que, por trás de tanta sujeira, estão as mãos humanas.

"Durante nosso trabalho, percebemos que mais da metade das partículas microplásticas contidas no gelo tinha menos de um vigésimo de milímetro de largura, o que significa que podem ser facilmente ingeridas por micro-organismos árticos, como ciliados e copépodes [família de crustáceos]", diz a bióloga Ilka Peeken, principal autora do estudo. Ela alerta que a observação se mostra preocupante. "Ninguém pode dizer com certeza o quão perigosas essas pequenas partículas plásticas são para a vida marinha e também para os seres humanos".

Os pesquisadores do Instituto Alfred Wegener coletaram amostras ao longo de três expedições a bordo do quebrador de gelo Polastern na Primavera de 2014 e no Verão de 2015.

Lixo sintético

O termo microplástico refere-se a partículas plásticas, fibras, granulados de madeira e outros fragmentos com comprimento, diâmetro ou largura variando de poucos micrômetros (um micrômetro corresponde a um milionésimo de milímetro) a cinco milímetros. Uma quantidade considerável de microplásticos é lançada diretamente no oceano pela deterioração gradativa de pedaços grandes de plástico. Mas, também, podem ser criados na terra; por exemplo, no processo de abrasão dos pneus do carro, quando inicialmente se suspendem no ar e, então, são enviados ao mar pelo vento.

Para determinar a quantidade exata da distribuição de microplásticos no oceano Ártico, os pesquisadores alemães foram os primeiros a analisar o núcleo das camadas de gelo usando um equipamento que bombardeia o material com luz infravermelha e usa um método matemático para analisar a radiação que elas refletem de volta. Dependendo da composição, as partículas revelam diferentes comprimentos de ondas, permitindo a identificação de cada substância.

"Com essa abordagem, também descobrimos partículas plásticas que tinham apenas 11 micrômetros. Isso é quase um sexto do diâmetro de um fio de cabelo humano, e também explica o motivo de termos encontrado concentrações de cerca de 12 mil partículas por litro de água do mar, o que é duas ou três vezes maior do que constatamos em mensurações prévias", diz o pesquisador Gunnar Gerdts, que participou do estudo. Surpreendentemente, os pesquisadores descobriram que 67% das partículas detectadas no gelo pertenciam à menor categoria da escala, a de "50 micrômetros para baixo".

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