Brasileiros ainda desconhecem um problema cardíaco muito comum

A fibrilação atrial afeta milhões de pessoas e pode ocasionar o Acidente Vascular Cerebral

por Da redação com assessorias 02/04/2018 09:24

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Drwhitaker.com/Reprodução
(foto: Drwhitaker.com/Reprodução)
Apesar de uma pesquisa realizada pelo Ibope Conecta, a pedido do laboratório Boehringer Ingelheim, mostrar que 66% das pessoas conhecem as doenças cardiovasculares, que figuram como as principais causas de morte no mundo, existe um problema cardíaco ainda desconhecido: a fibrilação atrial. O estudo ouviu mais de dois mil homens e mulheres, com idades entre 18 e 65 anos, das classes A, B e C, residentes das cinco regiões do país, entre julho e agosto de 2017. As doenças mais citadas pelos entrevistados foram infarto do miocárdio (41%), hipertensão (32%), AVC (24%) e arritmia (23%).

Entretanto, a fibrilação atrial, a mais comum das arritmias cardíacas, que leva o coração a bater em um ritmo irregular e descompassado, favorecendo a formação de coágulos nos átrios, ainda é pouco conhecida dos brasileiros. A pesquisa indicou que 63% do total dos entrevistados nunca tinham ouvido falar sobre a doença, que atinge entre 1,5 milhão e dois milhões de pessoas no país.

"Esse é um resultado alarmante, pois a fibrilação atrial é um dos mais importantes fatores de risco para o AVC, principal causa de incapacidade funcional globalmente", comenta o cardiologista José Francisco Kerr Saraiva, professor da PUC Campinas (SP). De acordo com o especialista, a relação entre essas doenças ocorre porque a fibrilação atrial favorece a formação de coágulos no coração, que podem se desprender, entrar na circulação sanguínea e chegar até o cérebro, causando a obstrução dos vasos locais e provocando o AVC em suas formas mais graves.

A pesquisa do Ibope ilustra a conexão entre as doenças: 30% das pessoas entrevistadas diagnosticadas com fibrilação atrial ou que conhecem alguém com essa arritmia sofreram um AVC. "No Brasil, todos os anos, 51 mil casos de AVC são decorrentes da fibrilação atrial e mais de 30 mil poderiam ser evitados com o tratamento anticoagulante adequado. Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento correto dessa arritmia são essenciais para assegurar o bem-estar e qualidade de vida do paciente", pontua o cardiologista.

Contudo, o estudo mostra que 47% dos entrevistados com fibrilação atrial não fazem uso de medicação anticoagulante, ficando mais expostos às complicações da doença. Conforme José Francisco Saraiva, o dado pode ser justificado devido à preocupação com sangramentos, um dos principais efeitos colaterais dos anticoagulantes. "A Medicina evoluiu e, hoje, já temos no mercado um agente reversor de efeito imediato e momentâneo, que age especificamente revertendo a ação de dabigatrana [remédio antitrombótico]. O seu uso é exclusivamente hospitalar, destinado para cirurgias emergenciais ou em caso de sangramentos incontroláveis que podem ser ocasionados por acidentes", diz o médico.

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