Pesquisadores retiram cérebros de porcos e os mantêm ativos fora do corpo do animal

A façanha deve ajudar no estudo de doenças que afetam a atividade cerebral, como a demência

por João Paulo Martins 27/04/2018 11:29

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(foto: Pixabay)
Pesquisadores dos Estados Unidos acabam de anunciar que conseguiram manter vivos cérebros de porcos decapitados, fora dos corpos dos animais, por até 36 horas. Mas, apesar de ser uma informação curiosa e inusitada, o neurocientista Nenad Sestan, da Universidade de Yale, em Connecticut, nos EUA, principal autor do estudo, informa que os órgãos não estavam conscientes, e que a "sobrevida" serviu para ajudar os cientistas na investigação de como o cérebro funciona. Com isso, será possível aperfeiçoar tratamentos experimentais para doenças neurológicas que vão de câncer a demência.

A pesquisa, publicada no periódico MIT Technology Review, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), dividiu as opiniões da comunidade científica. Para a neurocientista Anna Devor, da Universidade da Califórnia, em San Diego (EUA), em entrevista para o jornal do MIT, o feito poderia ajudar os pesquisadores na investigação das conexões entre as células cerebrais, permitindo a construção de uma espécie de "atlas cerebral".

No entanto, o novo feito não significa que, em breve, os humanos terão uma forma de "enganar a morte", já que a maioria dos cientistas afirma que não é possível transplantar o cérebro para um novo corpo. "Esse cérebro animal não estava ciente de nada. Estou muito confiante disso", comenta Nenad Sestan. Ele lembra que as considerações éticas da pesquisa devem ser levadas em conta. "Hipoteticamente, alguém pega essa tecnologia, melhora e restaura a atividade cerebral de alguém. Estaria 'restaurando' um ser humano. Se essa pessoa mantiver a memória, eu acharia incrível", completa o neurocientista de Yale.

Para a pesquisadora Frances Edwards, da Universidade College London, na Inglaterra, a capacidade de se manter um cérebro ativo por horas pode ser útil para a ciência. "Pode ser útil para estudar conexões entre células e, em algum nível, trabalhar as interações de rede em um cérebro grande. Haveria algumas vantagens para exames por imagens e, certamente, para o desenvolvimento de técnicas de diagnóstico", diz a cientista em entrevista para o jornal inglês The Guardian.

Edwards comenta que é improvável uma possível reprodução da pesquisa em seres humanos, e descarta a ideia de transplantes de corpos. "Seria um passo importante, quase impossível, fazer isso com o cérebro humano. Tanto no porco quanto no homem, o cérebro só está disponível para pesquisa após a morte", completa a pesquisadora britânica.

Sestan e seus colegas usaram mais de 100 porcos, cujos cérebros foram recuperados de matadouros. Os pesquisadores criaram um sistema sofisticado chamado "BrainEx" para manter as células vivas, circulando um fluido oxigenado por dentro do órgão.

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que o cérebro de um animal é mantido vivo fora do corpo: a proeza foi alcançada anteriormente em cobaias de laboratório.

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