Pesquisadores descobrem forma de potencializar combate à ferrugem do café

Esse fungo causa uma das principais doenças que acometem os cafezais no Brasil

por Encontro Digital 27/04/2018 09:47

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(foto: Pixabay)
Uma boa notícia para os cafeicultores: estudo desenvolvido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP descobriu uma forma de controlar e prevenir a ferrugem do pé de café – doença causada por um fungo que atinge as plantações.

A pesquisa realizou análises epidemiológicas que permitiram esclarecer quais variáveis ambientais influenciam o desenvolvimento do problema grave que afeta e muito a produção no Brasil. Utilizando um banco de dados da evolução da doença e de medidas meteorológicas, verificou-se que a temperatura mínima e a umidade relativa do ar são as variáveis mais relacionadas com o desenvolvimento da ferrugem, gerando um modelo de previsão que resultou no melhor controle da doença.

Causada pelo fungo Hemileia vastatrix, a ferrugem do cafezal é conhecida desde 1867, quando uma epidemia dizimou as plantações existentes no então Ceilão, atual Sri Lanka. No Brasil, a doença foi registrada pela primeira vez em 1970. "Atualmente, duas a três aplicações de fungicidas são necessárias para o seu controle, número variável conforme a favorabilidade ambiental em cada safra. Para saber se uma safra é mais favorável do que outra, e o risco das regiões de cultivo, este trabalho foi desenvolvido. Desta forma, a ferrugem do cafeeiro pode ser melhor manejada, desde a escolha de cultivares tolerantes ou resistentes em regiões favoráveis à doença, e na aplicação de fungicida na data mais adequada durante uma safra", comenta Fernando Hinnah, responsável pelo estudo.

O modelo proposto foi utilizado em experimentos para controle da doença no campo, a partir de diferentes datas de aplicação dos fungicidas, em contraste às aplicações denominadas calendarizadas, que são tradicionais. "Estas aplicações calendarizadas desconsideram a influência do ambiente na evolução da doença, considerando apenas o período residual dos produtos", completa o pesquisador.

Foram mapeados sete experimentos realizados em lavouras comerciais, em Varginha, Boa Esperança e Uberlândia, em Minas Gerais; e em Campinas e Buritizal, em São Paulo. "No geral, o sistema de alerta desenvolvido resultou no melhor controle da doença. Os modelos gerados foram pensados em facilitar a vida do produtor rural, reduzindo o potencial de resistência do patógeno ao fungicida devido a aplicações apenas quando necessário, bem como resultando no melhor controle da doença", diz Hinnah.

O modelo é simples, automaticamente gerado por cálculos que necessitam de variáveis ambientais obtidas em qualquer estação meteorológica. "Dessa forma, os produtores não precisam possuir estações meteorológicas em sua propriedade, o que aumentaria o custo, nem realizar medições da doença no campo. Com a nossa proposta, o produtor rural fica sabendo com antecedência aproximada de 30 dias, qual a melhor data de aplicação, podendo planejar as atividades, e estando com o maquinário pronto quando necessário".

(com assessoria de comunicação da Esalq e Jornal da USP)

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