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Estado de Minas CIDADE

Falta de dinheiro pode paralisar metrô de Belo Horizonte

Diretor da CBTU, que opera os trens da capital mineira, afirma que paralisação pode ocorrer ainda em abril


postado em 05/04/2018 15:53 / atualizado em 05/04/2018 16:22

Os metrôs de Recife, Belo Horizonte, Maceió, João Pessoa e Natal, as cinco capitais brasileiras operadas pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), podem parar de funcionar até o final do mês se o orçamento previsto para o setor não for ampliado. Essa informação foi dada por José Marques de Lima diretor-presidente da CBTU, durante audiência pública realizada na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado. Cerca de 600 mil pessoas seriam prejudicadas diariamente.

O orçamento previsto para os metrôs e veículos leves sobre trilhos (VLT's) das cinco capitais, que no ano passado foi de R$ 265 milhões, caiu para R$ 142 milhões em 2018, para atender à política de corte de gastos prevista na Emenda Constitucional 95.

Marques de Lima observa que se chegou a cogitar no início do ano reduzir o número de viagens e de trens em circulação, mas nova avaliação de técnicos da CBTU aponta que seria impossível manter o sistema em funcionamento sem o reforço do orçamento. "Esse corte no orçamento da CBTU não reduz viagens. Na situação em que se encontra hoje, nós não operamos mais. O sistema simplesmente para de funcionar. Se o orçamento não for reposto, o sistema para", alerta o diretor.

Em Belo Horizonte, a CBTU opera a Linha 1 do metrô (trem de superfície), que é composta por 19 estações e possui uma extensão de 28,2 km. Ela atende també à cidade vizinha de Contagem, onde estão localizadas duas estações – Cidade Industrial e Eldorado. São transportados cerca de 240 mil pessoas todos os dias na capital mineira.

Segundo Octávio Luiz Bitencourt, coordenador-geral de orçamento do Ministério das Cidades, a pasta já solicitou aos ministérios das áreas econômicas um crédito de R$ 122 milhões para a CBTU, de forma a recompor o montante necessário e garantir ao menos o que foi gasto no ano passado para manter trens e metrôs em operação. Caso isso não ocorra, o sistema pode parar de funcionar em julho, segundo Bitencourt. "O ministro das Cidades [Alexandre Baldy] fez a solicitação, mas depende dos ministérios da área econômica. Estamos negociando. O ministro tem conversado com o ministro do Planejamento. Temos feito várias reuniões com a Secretaria de Orçamento Federal", informa o representante do Ministério das Cidades.

Ainda assim, Marques de Lima avalia que a paralisação pode acontecer antes. Segundo ele, contratos de energia, folha de pagamento dos funcionários e outras despesas inviabilizam a continuidade da prestação dos serviços caso não haja uma recomposição imediata. "Com essa redução que nós sofremos, teríamos que paralisar o sistema em abril já", comenta o diretor da CBTU.

Além da redução do orçamento para custeio, caíram também os recursos para investimento. Em 2012, ano que atingiu o pico de investimentos no setor, foram autorizados R$ 783 milhões por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a CBTU. Este ano, menos de R$ 40 milhões foram destinados para expandir linhas e adquirir novos trens, denuncia a senadora Fátima Bezerra (PT-RN).

(com Agência Senado)

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