Homens e mulheres transexuais precisam ter cuidado com o câncer de mama

A doença acomete muito mais as mulheres, mas o público masculino não está livre

por Da redação com assessorias 17/04/2018 09:29

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(foto: Pixabay)
Normalmente, quando se fala em câncer de mama, logo se associa o problema ao público feminino. Afinal, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tumor deve afetar 60 mil mulheres em 2018. Porém, os homens também podem ser acometidos pela moléstia e devem, sim, ser orientados sobre ela. Além disso, as pessoas transsexuais precisam se atentar para o surgimento do cancro nas mamas.

O radiologista Luciano Chala lembra que é necessário separar homens e mulheres trans para analisar a prevalência desse tipo de câncer. "Mulheres transexuais passam por terapia hormonal para obtenção da mama com aspecto feminino. O uso de hormônio instiga um questionamento sobre eventual aumento do risco de câncer, pois isso conduz ao desenvolvimento de um tecido mamário com ductos e ácinos idênticos ao da mama biologicamente feminina", comenta o especialista.

Estudo publicado no periódico científico The Journal of Sexual Medicine acompanhou 2.307 mulheres trans que receberam terapia hormonal e concluiu que as incidências de carcinoma de mama são comparáveis aos identificados no público masculino. O tratamento hormonal em indivíduos transexuais não está associado a um aumento considerável do risco de desenvolvimento tumor de mama maligno. "A ocorrência foi de 4,1 a cada 100 mil casos, superior à incidência em homens cisgênero [1,2 casos para cada 100 mil] e muito distante da reportada em mulheres [170 casos]", afirma o médico.

Ainda segundo Luciano, não há orientações consensuais a respeito do rastreamento do câncer de mama em mulheres trans. "Muitos indicam que deve restringir-se ao autoexame periódico. No entanto, outros sugerem rastreamento mamográfico, como realizado em mulheres cisgênero. Por falta de recursos e apoio, muitas usam óleos minerais ou parafina para aumentar as mamas. Isso prejudica e até impossibilita o uso da mamografia e da ultrassonografia no rastreamento", diz o radiologista.

Já em relação aos homens transexuais, como o tórax com aspecto masculino é obtido por meio da mastectomia (retirada da mama), há a redução do risco de câncer. Porém, não anula a possibilidade de desenvolver a doença, uma vez que há pequena quantidade de tecido residual embaixo da pele. Neste caso, não é necessário realizar rastreamento com métodos de imagem, apesar de que o autoexame periódico, bem como atenção aos sintomas como nódulos e secreção sanguinolenta, devem ser mantidos.

De acordo com o Inca, 1% dos cânceres de mama previstos para 2018 serão descobertos em homens. Por ter menor incidência no público masculino, não há políticas para rastreamento da doença nessa população. "A doença é rara e quando aparece, é palpável, pois a mama masculina é pequena", explica Luciano Chala.

A avaliação periódica é indicada apenas para subgrupos de risco, como pacientes com mutação no gene BRCA 2, com síndrome de Klinefelter (provoca queda dos pelos e aumento das mamas), ou com histórico pessoal desse tipo de câncer.

A falta de informação, contudo, é uma das principais barreiras para detecção da doença. "Como a maioria dos homens não sabe que pode ter câncer de mama, grande parte dos casos é diagnosticado tardiamente. Eles não procuram um especialista quando os primeiros sintomas surgem, ou seja, ao identificar o problema, muitas vezes, já está em estágio avançado e com prognóstico comprometido", comenta o especialista.

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