Henrique Meirelles se filia ao MDB e deve deixar o ministério esta semana

O ministro da Fazenda não comentou sobre possível candidatura à presidência

por Encontro Digital 03/04/2018 14:29

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Antônio Cruz/Agência Brasil/Divulgação
(foto: Antônio Cruz/Agência Brasil/Divulgação)
O ministro da Fazenda Henrique Meirelles se filiou oficialmente ao MDB nesta terça, dia 3 de abril, e diz que deverá permanecer no ministério até sexta-feira (6). O nome de seu sucessor será definido nos próximos dois dias. Sobre a possibilidade de se candidatar à presidência da república nas Eleições 2018, Meirelles comenta que isso ainda está sendo discutido.

"Tenho o projeto de candidatura à presidência e, entrando no partido, vamos discutir os próximos passos e qual a melhor composição partidária, de forma a evitar que o Brasil tenha políticas populistas, oportunistas, que levaram o país à pior recessão da história", afirma o ainda ministro.

A cerimônia de filiação ocorreu na sede do partido, em Brasília e contou com a presença do presidente Michel Temer e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

No discurso de filiação, Henrique Meirelles fez questão de ressaltar a importância de programas sociais como o Bolsa Família e o Bolsa Escola, enfatizando que hoje o governo "inova na gestão" de tais iniciativas. Ele também afirma que a crise econômica brasileira é fruto, não de questões externas, mas de "erros econômicos praticados no Brasil".

"É com essa agenda que o MDB e eu temos um compromisso: emprego, renda e oportunidade. Só teremos um país justo quando o filho de um operário tiver as mesmas oportundiades que o filho de um médico. Isso não é uma bandeira da esquerda ou da direita. Igualdade de oportunidades é uma luta da civilização", comenta Meirelles.

O ministro da Fazenda destaca ainda a importância da economia para o crescimento brasileiro: "Voltamos ao caminho do crescimento. Quem diria, parecia impossível. Esse legado não pode ser perdido, nem esquecido: é preciso perserverar, é preciso ter coragem e insistir nas medidas e decisões certas".

Por sua vez, o presidente Michel Temer destaca o papel de Meirelles no governo. Segundo ele, quando convidou Meirelles para ocupar o cargo de ministro da Fazenda, buscava alguém que pudesse fazer com que a economia "recebesse aplausos". Temer afirma que, atualmente, Meirelles "está habilitado a ocupar qualquer cargo no país". "Da mesma maneira que vencemos juros, inflação alta, não podemos deixar o país desviar-se dessa rota. Temos certeza de que vamos prosseguir", acrescenta o presidente.

Trajetória

Natural de Anápolis (GO), Henrique Meirelles foi eleito deputado federal pelo PSDB em 2002. Com 183 mil votos, foi o deputado mais votado em Goiás, mas não chegou a assumir o mandato porque aceitou a presidência do Banco Central, que comandou de 2003 a 2010. Na época, Meirelles deixou o PSDB, partido de oposição ao governo do então presidente Lula.

Henrique Meirelles cogitou também concorrer ao governo de Goiás, pelo então PMBD, em 2010, mas desistiu para se dedicar ao comando do Banco Central. Em 2011, filiou-se ao PSD e houve rumores de que seria candidato à prefeitura de São Paulo, mas isso não se confirmou.

Naquele ano, o ministro da Fazenda surgia como uma das principais apostas do partido para a disputa eleitoral. Em vídeo de propaganda lançado no fim do ano passado pelo PSD, Meirelles ocupou cerca de nove dos 10 minutos totais da peça. Ao assumir o Banco Central em 2003, Meirelles, que já tinha feito carreira em instituições financeiras internacionais, conseguiu atrair credibilidade para o governo junto ao mercado financeiro. Antes de exercer a presidência do BC, foi presidente do Global Banking, do FleetBoston Financial e presidente mundial do Bank Boston.

(com Agência Brasil)

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