Ministro do STF diz que vivemos numa 'cultura da desonestidade'

Para Luís Roberto Barroso, corruptos não querem mudar o status quo atual

por Encontro Digital 10/04/2018 16:53

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Fellipe Sampaio/SCO/STF/Divulgação
(foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF/Divulgação)
Em evento realizado no Rio de Janeiro (RJ), nesta terça, dia 10 de abril, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), diz que as transformações produzidas pelo combate à corrupção no Brasil enfrentam a reação dos que não querem ser punidos e também "dos que não querem ser honestos nem daqui pra frente". O ministro fez uma palestra em que comenta que o Brasil vive uma cultura da desonestidade, em que parte dos políticos, empresários e burocratas firmam um "pacto oligárquico de saque ao estado".

"Hoje, no Brasil, nessa reação às transformações, há dois lotes, o lote dos que não querem ser punidos pelos malfeitos que fizeram, o que consigo entender, é da natureza humana. E tem um lote pior, dos que não querem ser honestos nem daqui pra frente e gostariam que tudo permanecesse como está. É gente que não sabe viver sem que seja com o dinheiro dos outros, sem que seja com dinheiro desviado", diz Barroso.

Para o ministro, a reação às transformações que ele acredita estarem em curso é evidente, porque o processo afeta pessoas que se consideravam fora do alcance da lei. "A reação é muito evidente. As transformações estão atingindo pessoas que sempre se julgaram imunes e impunes, e por essa razão, porque achavam que o direito penal nunca ia chegar a elas, cometeram uma quantidade inimaginável de delitos".

O magistrado diz ainda que acredita que a cultura da desonestidade, que criou "um modo estarrecedor" de fazer política e negócios no país, ainda não mudou, apesar do combate à corrupção. "Esse paradigma ainda não foi rompido. As coisas ainda funcionam largamente assim. O que ocorreu no Brasil foi um pacto oligárquico, celebrado por parte da classe política, parte da classe econômica e parte da burocracia estatal, de saque ao estado brasileiro", critica Luís Roberto Barroso.

Para o ministro do STF, a sociedade brasileira deixou de "aceitar o inaceitável" e parou de "varrer o problema para baixo do tapete". "Acho que já estamos conseguindo separar o joio do trigo. O problema é a quantidade de gente que ainda prefere o joio", comenta, acrescentando que a corrupção não é de "direta nem de esquerda", é sistêmica. "Não é um fenômeno de um governo, não é um fenômeno situado cronologicamente. É um fenômeno que vem de longe e acumulativamente".

(com Agência Brasil)

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