Antigo prédio do Dops, em Belo Horizonte, vira Memorial dos Direitos Humanos

O edifício ficou marcado por inúmeras torturas cometidas na época da ditadura militar brasileira

por Encontro Digital 10/04/2018 09:28

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Google Street View/Reprodução
O prédio em que funcionava Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no centro de Belo Horizonte, vai se transformar no Memorial dos Direitos Humanos Casa da Liberdade (foto: Google Street View/Reprodução)
O edifício da av. Afonso Pena, região centro-sul de Belo Horizonte, onde funcionou o extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops), dará lugar ao Memorial dos Direitos Humanos Casa da Liberdade. O projeto é uma iniciativa do governo de Minas Gerais e foi apresentado na tarde de segunda, dia 9 de abril, no Palácio da Liberdade, também na capital mineira.

A criação do memorial no prédio que abrigou o Dops foi uma recomendação do relatório final da Comissão da Verdade em Minas Gerais, apresentado em dezembro do ano passado. O documento traz o resultado das investigações sobre as violações de direitos humanos no estado entre 1946 e 1988, com foco maior sobre o período em que vigorou o regime militar.

Durante a ditadura, as estruturas do Dops foram utilizadas para prisão e tortura de militantes e opositores. O edifício é um dos 98 locais em Minas utilizados para a repressão, conforme aponta o relatório da Comissão da Verdade. O próprio governador Fernando Pimentel (PT) chegou a ficar preso no edifício.

De acordo com o projeto, o Memorial dos Direitos Humanos Casa da Liberdade terá salão para exposições e eventos culturais; espaços para oficinas e seminários; salas para reuniões; e um centro de pesquisa sobre a história política do país, que reunirá documentos de repressão produzidos tanto no período da ditadura militar como do Estado Novo. "A implantação do memorial ainda tem como objetivo conscientizar os cidadãos sobre os acontecimentos do passado para evitar que eles caiam no esquecimento e não se repitam no futuro", diz uma nota enviada à imprensa pelo governo mineiro.

A proposta de transformação do icônico prédio, cujo projeto arquitetônico é assinado por Gringo Cardia, foi elaborada com a contribuição da historiadora Heloísa Starling, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que coordena o Projeto República, núcleo de pesquisa e documentação da história recente brasileira, criado em 2001.

Como o edifício do Dops foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), em 2015, as intervenções deverão ser realizadas conforme as diretrizes existentes para a proteção ao patrimônio.

(com Agência Brasil)

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