Cientistas descobrem bactéria que fica no solo em molhos para salada

O estudo da Fiocruz em parceria com a URFJ foi realizado com produtos que não chegaram a ser comercializados

por Encontro Digital 11/05/2018 14:57

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(foto: Pixabay)
Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram, de forma inédita, que molhos prontos para salada, muito comuns em restaurantes self-service, estão sofrendo deterioração devido a uma espécie de bactéria que costuma estar presente no solo. Após uma série de investigações, a espécie Bacillus amyloliquefaciens foi apontada como a causadora da contaminação. Até então, os especialistas acredivatam que o problema era originado pelas espécies B. subtilis, B. vulgatus e Lactobacillus fructivorans.

A B. amyloliquefaciens tem sido amplamente utilizada na agricultura como estimulante para o crescimento vegetal. O microrganismo também é empregado no controle biológico de pragas que prejudicam o cultivo. Os seus riscos para a saúde, no entanto, ainda são pouco conhecidos. Os resultados do estudo que constatou a presença da bactéria em molhos prontos para salada foram publicados na revista científica Brazilian Journal of Food Technology. Os especialistas destacam que o conhecimento do comportamento das diferentes espécies de bactérias contribui para prevenir infecções e casos de contaminação, além de colaborar para aprimorar as estratégias de controle biológico.

Segundo o IOC/Fiocruz e a UFRJ, a investigação teve origem após um episódio de contaminação de molhos para salada ocorrido ainda na linha de produção de uma fábrica. A deterioração foi inicialmente identificada a partir do estufamento dos recipientes plásticos contendo o produto – um efeito da produção de gás pelo micro-organismo. Outra evidência de contaminação alertou os responsáveis pela indústria: a formação de biofilme bacteriano em diferentes locais da linha de produção, como liquidificador, tanque de mistura e conexão de água. O biofilme é uma comunidade de bactérias envoltas por substâncias produzidas pelos próprios micróbios, que conferem proteção ao seu desenvolvimento.

"Verificamos que a bactéria B. amyloliquefaciens, comumente encontrada no solo, foi capaz de provocar a deterioração de alimentos industrializados. Isso chama a atenção para a importância do controle biológico dos produtos utilizados como matérias-primas na fabricação de alimentos. Os efeitos para a saúde humana, animal e os possíveis impactos do consumo de molhos contaminados por essa espécie de bactéria ainda precisam ser estudados", comenta a pesquisadora Adriana Vivoni, do IOC/Fiocruz e uma das coordenadoras do estudo. Como a contaminação foi detectada ainda na linha de produção, os itens não chegaram a ser distribuídos para venda.

Cuidados do dia a dia

Os cientistas oriemta que, antes do consumo de molhos ou outros produtos industrializados, é importante observar com atenção possíveis mudanças de aspectos como cor, textura, cheiro ou sabor. Também é preciso ter atenção com a embalagem do produto. Alimentos envasados, em especial em latas de alumínio e recipientes plásticos, não devem ser consumidos se o recipiente estiver estufado: isso indica falha no processamento do produto, que permitiu o desenvolvimento de micro-organismos.

(com Agência Fiocruz)

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