Brasil ainda não está sendo afetado pela alta do dólar, diz secretário do Tesouro Nacional

Mansueto de Almeida Junior afirma que país possui muita reserva internacional

por Encontro Digital 16/05/2018 15:56

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(foto: Pixabay)
Segundo Mansueto Facundo de Almeida Junior, secretário do Tesouro Nacional, as consecutivas altas do dólar, por enquanto, não preocupam o governo brasileiro, por serem um "movimento de curto prazo". A informação foi dada nesta quarta, dia 16 de maio, após participação em audiência da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.

"O Banco Central [BC] tem instrumentos para lidar com isso. Por enquanto, não preocupa. É bem diferente de 2002 e de outros anos. Naquela época, tinha o problema da dívida pública. Não é caso agora", comenta Mansueto.

O secretário lembra que, em 2002, com a alta dólar, a dívida líquida do setor público disparou porque o país tinha nível baixo de reservas. Agora, argumentou, o Brasil é credor líquido em moeda estrangeira, ou seja, tem mais ativos do que dívidas no exterior. A dívida pública cai quando há alta do dólar, porque as reservas internacionais, o principal ativo do país, são feitas de moeda estrangeira.

"Quando o dólar sobe, a dívida líquida cai, porque o Brasil hoje é credor líquido em dólar. É bem diferente de 2002, quando disparou o dólar. A divida líquida disparou porque Brasil era devedor líquido em dólar e tinha um nível de reserva baixo", explica o responsável pelo Tesouro Nacional.

De acordo com Mansueto de Almeida Junior, o dólar está se valorizando em relação a várias moedas de países emergentes e ao euro. "Essa coisa de volatilidade é muito de curto prazo, muito de atuação de mercado", diz. Um fato adicional, acrescenta o secretário, é que o déficit em conta-corrente é "muito pequeno", abaixo de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. "É um resultado muito menor do que entra de dinheiro como investimento externo", destaca.

Banco Central

O secretário acrescenta que o Tesouro sempre conversa com BC. "A questão de taxa de câmbio e juros é com o Banco Central; fiscal é Fazenda e Planejamento. Então, cada um na sua área de atuação. O que há, e o que é comum, é um bom e excelente diálogo dentro da equipe econômica", afirma Mansueto.

Nesta quarta (16), às 13h, o dólar americano estava cotado a R$ 3,68, com alta de 0,55%. Na terça (15), pelo terceiro pregão consecutivo, o dólar fechou em alta, cotado a R$ 3,66. A última vez que o dólar ultrapassou esse valor foi no dia 7 de abril de 2016, quando encerrou o dia vendido a R$ 3,694.

A alta da moeda americana ocorre mesmo com ajustes na atuação do Banco Central no mercado de câmbio. Na sexta, dia 11 de maio, após o fechamento do mercado, o BC anunciou ajustes nos leilões de contratos de sawps cambiais, equivalentes à venda de dólares mercado futuro, e passou a fazer leilões com vencimento em junho e antecipou operações adicionais. Com os ajustes, o BC iniciou na terça (15) a oferta diária de rolagem integral de 4.225 contratos, com vencimento em junho. Além disso, passou a fazer a oferta adicional de 5 mil novos contratos ao longo do mês e não apenas ao final como estava previsto.

(com Agência Brasil)

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