Em 2017, Brasil possuía 11,5 milhões de analfabetos

Segundo o IBGE, número é 0,2% menor do que o registrado em 2016

por Encontro Digital 18/05/2018 17:54

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Agência Brasil/Divulgação
(foto: Agência Brasil/Divulgação)
Segundo dados da pesquisa Educação 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta, dia 18 de maio, de 2016 a 2017, a taxa de analfabetismo no Brasil entre pessoas com 15 anos ou mais de idade foi estimada em 7%, uma queda de 0,2% em relação aos 7,2% registrados em 2016, o equivalente a quase 300 mil pessoas. Apesar da queda, o país registrava em 2017, 11,5 milhões de analfabetos.

Embora ainda permaneçam elevados, a melhora dos indicadores se deu quase que de forma generalizada, sendo observada entre homens e mulheres, assim como entre as pessoas de cor preta ou parda.

Mesmo com a redução de 0,2 ponto percentual na taxa de analfabetismo, o país não atingiu a meta do Programa Nacional de Educação (PNE), cujo objetivo era alcançar uma taxa de 6,5% em 2015. O destaque ficou com as regiões centro-oeste (5,2%), sudeste e sul (ambas com 3,5%) que já estavam abaixo da meta. Nas regiões nordeste e norte, no entanto, os percentuais foram 14,5% e 8%, acima da meta do PNE.

Para Marina Aguas, analista do IBGE e responsável pela pesquisa, "atingir as metas do PNE vai depender muito das medidas e politicas a serem adotadas e da questão demográfica: o fator demográfico é de grande importância nesta questão e ele é maior entre as pessoas mais velhas. Alcançar ou não a meta fixada pelo PNE para 2024 vai depender muito das políticas públicas adotadas".

O levantamento mostra que a taxa de analfabetismo caiu mais entre as pessoas de cor preta ou parda, se mantendo praticamente estável na população com 15 anos ou mais de cor branca. Os dados indicam que, de 2016 para 2017, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos chegou a cair 0,6 ponto percentual, passando de 9,9% para 9,3%; enquanto entre as pessoas brancas o recuo foi de 0,2 ponto percentual – de 4,2% para 4%.

Idosos

A pesquisa constatou existência de relação direta do analfabetismo com a idade. "O caráter estrutural desse indicador, ou seja, a taxa de analfabetismo, mesmo em queda, persiste mais alta para as idades mais avançadas. Em 2017, entre as pessoas com 60 anos ou mais, a taxa foi 19,3%, 1,1 ponto percentual menor do que em 2016 (20,4%)", informa o IBGE.

Na região nordeste, 38,6% da população de 60 anos ou mais não sabiam ler ou escrever um bilhete simples, taxa quatro vezes maior que a do sudeste para o mesmo grupo etário, que foi de 10,6% em 2017.

Para a analista do IBGE, os dados mostram que o país tem avançado em termos educacionais, mas persistem algumas desigualdades, principalmente do ponto de vista regional. "Os dados da Pnad 2017 mostram que o Brasil tem avançado em termos educacionais, tanto do ponto de vista do aumento do número médio de anos de estudos, como do percentual das pessoas que completaram pelo menos a etapa básica do ensino. Mas também, ao mesmo tempo, mostra que existe um atraso em relação a idade e a etapa que as crianças que se encontram na escola deveriam estar idealmente cursando".

Para ela, esse atraso já começa nos anos finais do ensino fundamental e vai se acentuando ao longo do ensino médio. "Ou seja, as crianças de 11 a 14 anos que deveriam estar no segundo segmento, ou na segunda etapa do ensino fundamental a partir do sexto ano, apenas 85,6% delas estão nesta etapa ideal. O restante ou ainda está no primeiro segmento do ensino fundamental ou evadiu do sistema de ensino".

Ela ressalta o fato de que para os jovens de 15 a 17 anos o ideal seria que a maioria já estivesse no ensino médio, etapa adequada para essa faixa etária. "Mas o fato é que apenas 68,4% desse grupo já se encontra no ensino médio. O restante ou ainda está atrasado,portanto no ensino fundamental, ou evadiu-se do sistema de ensino. E este é um dos desafios do Brasil: fazer com que essas pessoas estejam na escola e na etapa ideal para aquele momento da vida".

Não estuda nem trabalha

O percentual de jovens na faixa etária entre 15 e 29 anos que não trabalhava e não estudava no ano passado cresceu 1,2%, passando de 21,8% para 23%. Segundo a pesquisa do IBGE, no ano passado, em um universo de 48,5 milhões de jovens nesta faixa etária, 11,16 milhões estavam nesta condição (de não trabalhar e nem estudar), contra 10,54 milhões em 2016.

Esta trajetória de crescimento da chamada geração nem-nem, conforme o IBGE, "pode estar relacionada ao momento econômico vivido pelo país". Na análise segundo o sexo, cor ou raça, 17,4% dos homens e 28,7% das mulheres de 15 a 29 anos de idade não estavam ocupados, nem estudando ou se qualificando. Entre as pessoas de cor branca, essa proporção foi 18,7%, e entre as de cor preta ou parda saltou para 25,9%.

"Houve uma queda também da ocupação e do estudo para o grupo de 15 a 29 anos. E este grupo acabou indo para os não ocupados e os que não estudavam. É importante mencionar que, no grupo de 18 a 24 anos, o que caiu entre 2016 e 2017 foi o percentual de pessoas que estavam ocupados e que estudavam e esta redução migrou todos para o grupo dos não ocupados e dos que não estudavam", afirma Marina Aguas.

A pesquisa constatou ainda que, em 2017, 25,1 milhões das pessoas de 15 a 29 anos de idade não frequentavam a escola, cursos pré-vestibular, técnico de nível médio ou de qualificação profissional e não haviam concluído uma graduação. Nesse grupo, 52,5% eram homens e 64,2% de pessoas de cor preta ou parda.

De 2016 para 2017, foram 343 mil pessoas a mais nessa situação, equivalente a um aumento de 1,4%. Dentre os motivos apontados estão: trabalhava, procurava trabalho ou conseguiu trabalho que iria começar em breve (39,7%); não tinha interesse em estudar (20,1%); e por ter que cuidar dos afazeres domésticos ou de pessoas (11,9%).

Escolarização

Em 2017, 95,5% das crianças de 6 a 10 anos estavam adequadamente nos anos iniciais do ensino fundamental. Em relação à faixa de 11 a 14 anos, 85,6% frequentavam os anos finais – o que significa 1,3 milhão de crianças frequentavam a escola fora da etapa adequada e 113 mil estavam fora da escola.

O atraso e a evasão se acentuam no ensino médio, que deve ser cursado por estudantes de 15 a 17 anos. Para essa faixa, a taxa de escolarização foi de 87,2%, porém a taxa ajustada de frequência escolar líquida foi de 68,4%, indicando quase dois milhões de estudantes atrasados e 1,3 milhão fora da escola.

No grupo de 18 a 24 anos, a taxa de escolarização era de 31,7% em 2017, contra 32,8% no ano anterior. Nesse mesmo período, o índice também recuou entre as mulheres (de 34,1% para 32,6%) e as pessoas de cor preta ou parda (de 29,4% para 28,4%).

A taxa ajustada de frequência escolar no ensino superior foi 23,2%. Entre as pessoas brancas, a taxa foi 32,9%, alcançando a meta do Plano Nacional de Educação, que é de 33% até 2024. Entre as pessoas pretas ou pardas, o percentual era de 16,7%, abaixo da meta.

(com Agência Brasil)

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