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Estado de Minas SAúDE

Endometriose também afeta as adolescentes

Problema inflamatório não tem cura mas pode ser tratado


postado em 04/05/2018 17:19 / atualizado em 04/05/2018 17:25

As mudanças hormonais que acompanham a puberdade nas meninas promovem o amadurecimento dos órgãos sexuais, levando à primeira menstruação. Além do sangramento mensal e da acne, a adolescente pode começar a ter cólicas, que, apesar de considerada pela maioria das mulheres como algo normal, pode ser um sinal da endometriose, doença que afeta até sete milhões de brasileiras, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O ginecologista Maurício Simões Abrão, da Faculdade de Medicina da USP, lembra que o útero da mulher é revestido internamente por uma espécie de película chamada endométrio que, quando se inicia a gravidez, é responsável por receber o óvulo fecundado. Durante o período menstrual, o endométrio é renovado e descama, sendo eliminado do corpo em forma de menstruação.

"A paciente com endometriose apresenta endométrio implantado fora do útero, ou seja, podendo infiltrar outras estruturas, como, por exemplo, os ovários e os ligamentos ao redor do útero. Em casos graves, o endométrio pode aderir inclusive a outros órgãos, como bexiga e intestino", comenta o especialista.

A relação de normalidade entre o período menstrual e as cólicas faz com que 53% das brasileiras desconheçam a doença, conforme aponta uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva, em parceria com a Bayer.

O médico cita sinais importantes da endometriose que se manifestam já na adolescência:

  • Dores incapacitantes e persistentes durante todo o período menstrual e fora dele

  • Dor pélvica inclusive durante a relação sexual

  • Dificuldade e dor para evacuar

  • Dores para urinar durante a menstruação

Ao identificar esses sintomas, o mais indicado é procurar um ginecologista e solicitar a investigação do quadro. Exames como o ultrassom transvaginal e de abdômen podem auxiliar no diagnóstico precoce e na definição do tratamento ideal. "Quanto antes for detectada e tratada, melhor o controle sobre a endometriose, embora não tenha cura, a rapidez no diagnóstico evita as complicações da doença e inclusive que a paciente passe por tratamentos mais agressivos, além de preservar a fertilidade", ressalta Maurício Abrão.

Por se manifestar de diversas maneiras, cada quadro de endometriose deve ser estudado de forma individual para definir a melhor linha de tratamento. "Há pacientes que não apresentam focos de endométrio fora do sistema reprodutor, então, nestes casos, podemos pensar em controlar os sintomas com o uso de métodos contraceptivos como pílula e DIU e, inclusive, suspender a menstruação", explica o ginecologista.

Em casos mais graves da doença, em que a mulher apresenta endométrio na cavidade abdominal ou outros órgãos, por exemplo, pode ser necessário a realização de cirurgia, como esclarece Abrão: "Esses casos são especialmente delicados, porque o plano cirúrgico vai depender de onde está o foco de endometriose, por isso precisam ser estudados de perto".

Embora a doença não tenha cura, é possível controlá-la. Para isso, é imprescindível realizar exames e visitas periódicas ao ginecologista para acompanhar a progressão da doença e a efetividade do tratamento.

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