Falta de diagnóstico adequado e de tratamento aumentam casos de mastectomia no Brasil

Demora causada pelo SUS e ausência de plano de saúde seriam os problemas principais

por Encontro Digital 07/05/2018 10:29

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(foto: Pixabay)
Dado alarmante da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)  mostra que em 70% dos casos de câncer de mama diagnosticados no Brasil a mulher passa por mastectomia (remoção total do seio). O principal motivo para a feitura do procedimento é que a doença é identificada em estágio avançado.

Segundo a SBM, esse índice está ligado à dificuldade na realização do diagnóstico precoce e na demora para se conseguir as consultas, exames, biópsia e tratamento – levando em conta o Sistema Único de Saúde (SUS) e a falta de plano de saúde. Pesquisas internacionais apontam que se o tumor é descoberto logo no início – quando está com menos de 2 cm –, as chances de cura podem chegar a 95%, informa a sociedade.

"Isso é um problema muito ligado à questão econômica: a disponibilidade de recursos e de exames; e a qualidade dos equipamentos e dos resultados. A limitação do acesso é um problema muito sério no nosso país, as mulheres no SUS passam por uma verdadeira 'via crucis', que é conseguir consulta num posto de saúde, conseguir um pedido de exame e depois realizá-lo. Com o diagnóstico tardio, a agressividade do tratamento é maior", comenta Antônio Frasson, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia.

Para o médico, a queda na busca pelos exames está relacionada também ao fato de muitos brasileiros estarem sem emprego ou terem perdido a cobertura do plano de saúde. "Quando a gente observa o número de mulheres que vem fazendo exames, em vez de aumentar, ele vem caindo. Isso é muito ligado à questão econômica, à falta de recursos. Estamos falando no sistema público e no privado. Com a crise, muita gente perdeu o acesso, o convênio médico", completa Frasson.

De acordo com o Ministério da Saúde, estados e municípios têm autonomia para organizar a rede de atendimento "e o tempo para realizar diagnóstico depende da organização e regulação desses serviços". "Em 2017, foram realizados no SUS 4,04 milhões de mamografias de rastreamento, sendo 2,6 milhões na faixa etária prioritária preconizada pela Organização Mundial da Saúde [OMS], que são mulheres de 50 a 69 anos. Além disso, também houve aumento de 100% dos valores repassados para exames essenciais para o diagnóstico e para a decisão médica do tratamento dessa doença", informa a pasta em nota enviada à Agência Brasil. O repasse de recursos federais para tratamento do câncer de mama teria passado de R$ 2,2 bilhões em 2010 para R$ 4,6 bi em 2017.

Cirurgia menos invasiva

Com intuito de preservar as mamas, médicos têm adotado técnicas que permitem, por meio de um acesso pequeno (pela borda da aréola e do mamilo ou pelo sulco mamário) fazer a retirada dos tumores, com menor risco de complicações e melhores resultados estéticos.

Antônio Frasson esclarece que as incisões escondidas podem ser feitas na retirada total da mama ou quando é extraído somente o tumor com margem livre. Esse tipo de cirurgia evita que a mulher tenha o estigma de uma cirurgia radical, com cicatrizes no meio do seio. "A pessoa faz cirurgia, e pode fazer radioterapia, quimioterapia ou hormonioterapia. A associação das múltiplas terapias faz com que um tratamento exclusivo seja menos utilizado e isso ajuda muito no avanço das técnicas cirúrgicas, fazendo com que o procedimento passe praticamente despercebido", diz o mastologista.

Para as mulheres que sofreram com a doença e realizaram mastectomia, a Lei 12.802 prevê a reconstrução mamária imediatamente após o procedimento. A legislação prevê que pacientes submetidas à mastectomia tenham o direito de realizar a reconstrução por meio do SUS logo após a retirada do tumor. Conforme a Sociedade Brasileira de Mastologia, apenas 20% das 92,5 mil mulheres que retiraram as mamas entre os anos de 2008 e 2015 passaram pelo procedimento de reconstrução. Ainda de acordo com a instituição, a reconstrução mamária imediata é viável em cerca de 90% dos casos.

Na nota à Agência Brasil, o Ministério da Saúde informa que "segundo a mesma lei, quando não houver indicação clínica para realização dos dois procedimentos ao mesmo tempo, a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a realização da cirurgia após alcançar as condições clínicas necessárias. Sendo assim, cabe à equipe médica responsável pela paciente avaliar se é possível realizar os dois procedimentos no mesmo ato cirúrgico. A decisão é tomada com base em diversos fatores, como a condição da área afetada para evitar infecção ou rejeição da prótese e a vontade da própria paciente. Em alguns casos, é necessária a radioterapia ou quimioterapia antes da reconstrução mamária ser realizada".

Conforme o ministério, em 2013, foram feitas 11.931 cirurgias de mastectomia e 3.411 de reconstrução mamária no SUS. Em 2017, dados preliminares, foram 10.186 mastectomias e 3.413 reconstruções mamárias.

"Imediata ou não, a cirurgia de reconstrução é um direito de toda paciente de câncer de mama que passou por mastectomia durante o tratamento da doença. Esse direito deve ser exigido junto ao SUS e aos planos de saúde e discutido com o médico antes da realização da cirurgia ou a qualquer momento após o procedimento de retirada do tumor, no caso de uma reconstrução tardia", reclama Maira Caleffi, presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama.

(com Agência Brasil)

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