Mosquitos infectados com bactéria reduzem transmissão da febre mayaro

A pesquisa foi realizada pelo Instituto René Rachou, de Belo Horizonte

por Encontro Digital 09/05/2018 08:47

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Marcos Santos/Jornal da USP/Divulgação
Pesquisa feita pelo Instituto René Rachou, de Belo Horizonte, descobriu que mosquitos Aedes aegypti infectados pela bactéria Wolbachia reduzem a transmissão da febre mayaro (foto: Marcos Santos/Jornal da USP/Divulgação)
Um desenvolvido por pesquisadores do Instituto René Rachou, pertencente à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e sediado em Belo Horizonte (MG), descobriu que mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia têm a capacidade reduzida de transmitir o vírus Mayaro, que causa uma doença parecida com a chikungunya. A descoberta foi publicada recentemente na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature.

A pesquisa foi feita a partir de um isolado do vírus circulante no Brasil, multiplicado em células do inseto. O vírus foi misturado com sangue humano e utilizado para alimentar dois grupos de Aedes aegypti: mosquitos retirados da natureza e aqueles que possuem em seu organismo a bactéria Wolbachia. A análise, realizada após a infecção dos mosquitos, mostrou que os vetores infectados com a Wolbachia possuíam muito menos vírus na região da cabeça (local onde se encontram as glândulas salivares), enquanto que os mosquitos de campo (que não carregam a bactéria) se encontravam significativamente mais infectados com o mayaro.

Em outro ensaio, a saliva dos mosquitos (com e sem Wolbachia) expostos ao vírus mayaro foi extraída e, posteriormente, injetada em Aedes aegypti de campo, que ainda não haviam tido contato com o vírus. O resultado apontou que, ao receber a saliva de mosquitos com Wolbachia, os vetores não sofreram a infecção, enquanto as salivas provenientes dos insetos de campo se tornaram, em sua maioria, infectados. Esse ensaio, realizado em laboratório, mostra a capacidade reduzida de transmitir o vírus de mosquitos na presença da bactéria.

"O estudo mostra que, potencialmente, o método que consiste em liberar Aedes aegypti com Wolbachia no ambiente para reduzir a capacidade de transmissão de doenças é eficaz para mais um arbovírus, além de dengue, zika e chikungunya", avalia o pesquisador Luciano Moreira, da Fiocruz e um dos autores do artigo.

Febre mayaro

O vírus mayaro é um arbovírus da família Togaviridae, assim como o da chikungunya. Eles são relacionados geneticamente.

A febre mayaro, provocada pelo vírus, é uma zoonose silvestre transmitida principalmente pelo mosquito Haemagogus janthinomys. O Aedes aegypti, que é um mosquito urbano, têm a capacidade de atuar como vetor, o que já foi demonstrado experimentalmente. Entretanto, não existe nenhum caso conhecido que tenha sido transmitido dessa forma.

"Nós ainda não identificamos Aedes aegypti na cidade de Manaus com o vírus Mayaro. Nossos pesquisadores identificam que há mayaro circulando, mas não a forma como acontece a transmissão", comenta o pesquisador Sérgio Luiz Bessa Luz, diretor do Instituto Leônidas e Maria Deane, da Fiocruz de Manaus (AM). Casos de febre Mayaro já foram notificados também nos estados de Pará, Tocantins e Goiás, segundo o Ministério da Saúde.

(com Agência Fiocruz)

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