WWF alerta que mudança climática espalha mosquitos vetores de doenças no Brasil

Até 2050, Aedes aegypti deve chegar ao sul do país, diz a entidade

por Encontro Digital 23/05/2018 08:45

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(foto: Pixabay)
Efeitos da mudança climática, como aumento da temperatura e maior incidência de secas, propiciam a expansão de doenças transmitidas por mosquitos como a dengue, a leishmanioses, a malária e a febre amarela. A informação faz parte de um relatório divulgado na terça, dia 22 de maio, pela regional brasileira da entidade conservacionista internacional WWF. A publicação reúne diversos estudos que apontam impactos negativos das condições climáticas no Brasil.

"Com o aumento da temperatura, o ambiente torna-se mais propício para a disseminação desses mosquitos. Isso aumenta a possibilidade da sua área de ocorrência se expandir para outras regiões", disse André Nahur, coordenador de Mudanças Climáticas do WWF-Brasil.

O desmatamento também contribui para a expansão dos mosquitos, já que há perda e fragmentação de seu habitat. "Geralmente as áreas naturais são refúgio desses vetores. O ambiente natural dos mosquitos não é a cidade, geralmente são as florestas, em que eles se autorregulam", comenta Nahur. Segundo ele, situações como o desmatamento, degradação de áreas e expansão desordenada em áreas de vegetação podem aumentar a distribuição geográfica dos mosquitos, inclusive para áreas de cidades.

"O mosquito que buscava alimentação dele na floresta, entre os animais, passam a transmitir doenças para as pessoas".

Aedes aegypti

Um dos estudos presentes na publicação lançada na terça (22) estima uma provável expansão do mosquito Aedes aegypti – transmissor da dengue, da febre chikungunya e da zika – para a região sul do Brasil até 2050. Há ainda evidências da existência de uma relação entre as condições climáticas e o aumento da incidência de leishmaniose, assim como da influência da mudança do clima nos vetores da doença, que é causada por mosquito do tipo flebotomíneos.

Na Amazônia, a combinação de altas temperaturas, seca e desmatamento pode aumentar a transmissão da malária por meio de vetores secundários do mosquito Albitarsis em toda a América do Sul. Além disso, dois vetores de malária no norte do continente, Anopheles darlingi e Anopheles nuneztovari, podem expandir suas áreas de sobrevivência para além dos locais onde houve destruição de seu habitat.

Áreas de proteção

A manutenção e fiscalização das áreas de proteção ambiental, sob responsabilidade do governo federal e de governos estaduais, é fundamental para garantia da biodiversidade e qualidade de vida da sociedade, defende a entidade. "Hoje as áreas protegidas, tanto na Amazônia como no Cerrado e na Mata Atlântica, são os grandes refúgios de biodiversidade e são fundamentais para manutenção dos serviços ecossistêmicos necessários para a gente prover os direitos humanos básicos, que seriam água e alimento. Essas áreas são fundamentais para garantir, por exemplo, que a água continue sendo trazida para as cidades no Brasil todo", afirma André Nahur.

No entanto, o coordenador acredita que há ameaças a essas áreas de proteção. "Constantemente nós temos sofrido ataques a essas áreas protegidas. Primeiro pela questão de tentativas de redução dessas áreas ou até extinção dessas áreas por causa de interesses econômicos. Além da questão de que a maioria das áreas protegidas no Brasil precisa de uma gestão mais efetiva para garantir a sua real conservação", completa o representante da WWF.

(com Agência Brasil)

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