Em depoimento, Lula nega 'trapaça' para escolha do Rio como sede olímpica

O ex-presidente depôs como testemunha do ex-governador Sérgio Cabral, do RJ, réu na operação Unfair Play

por Encontro Digital 05/06/2018 14:20

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Comitê Olímpico Brasileiro/Divulgação
(foto: Comitê Olímpico Brasileiro/Divulgação)
Em depoimento realizado por meio de videoconferência, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu perguntas do Ministério Público Federal (MPF) e do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e disse que não houve trapaça na votação que elegeu o Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula foi testemunha de defesa do ex-governador do RJ, Sérgio Cabral.

"Quem fala que foi trapaça não entende nada de nada e não viveu o que nós vivemos", comenta Lula, que afirma ainda que a candidatura do Rio de Janeiro só poderia ser bem sucedida se houvesse o empenho do governo federal e do Itamaraty.

O petista diz que defendeu a candidatura da cidade em todos os eventos oficiais em que participou em outros países e orientou o Ministério de Relações Exteriores a fazer o mesmo. Durante o depoimento, Lula lembra de compromissos oficiais em que defendeu a candidatura do Rio de Janeiro, como a viagem aos Jogos de Pequim, a campanha antes da votação, em Copenhague, e uma reunião com a União Africana.

"Sem o envolvimento do Brasil como um todo, o Rio de Janeiro não ganharia. O Brasil vivia um momento sensacional e tinha virado um protagonista internacional", comenta o ex-presidente.

Lula também respondeu a perguntas da defesa de Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que é réu acusado de participar do mesmo esquema. Segundo o petista, Nuzman era uma figura respeitada internacionalmente. "Não vi nenhuma atitude dele que pudesse desabonar o Brasil ou as Olimpíadas", diz Lula.

O ex-presidente aproveitou o depoimento para criticar a imprensa brasileira, afirmando que nem sempre se pode acreditar no que é publicado. "Eu só lamento que venha uma denúncia de compra de delegado anos depois. Não sei quem fez a denúncia e não quero saber. Como estamos vivendo um momento de denuncismo", diz Lula, que foi interrompido pelo juiz Marcelo Bretas.

Ao final do depoimento, Bretas agradeceu ao ex-presidente pela "postura" e comenta que Lula é uma figura importante para o país e para ele próprio. O magistrado chegou a revelar que participou de um comício com o petista quando tinha 18 anos.

"Quando eu fizer um comício, agora eu vou chamar o senhor para participar", brinca Lula, que prestou o depoimento vestindo o terno e a gravata usados no dia da eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas. "Carrego essa gravata até ela desmanchar".

Operação Unfair Play

Os processos contra Sérgio Cabral e Carlos Arthur Nuzman fazem parte da operação Unfair Play, da Polícia Federal (PF), que apura um suposto esquema de corrupção para a compra de apoio na votação que definiu o Rio como sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. Além de Cabral e Nuzman, também são réus na ação o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, conhecido como "Rei Arthur"; o ex-diretor de Operações do Comitê Rio 2016, Leonardo Gryner; e os senegaleses Papa Diack e Lamine Diack, que teriam recebido propina para garantir votos africanos à candidatura do Brasil.

Nuzman é acusado de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas; e Cabral, de corrupção passiva. Gryner é acusado de corrupção passiva e organização criminosa. Arthur Soares, de corrupção ativa. E Papa e Lamine Diack, de corrupção passiva.

(com Agência Brasil)

Últimas notícias

Comentários