Baixa cobertura vacinal é risco em época de surtos de doenças erradicadas

Ministério da Saúde alerta sobre a importância da imunização adequada

por Encontro Digital 09/07/2018 12:42

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Osnei Restio/Prefeitura de Nova Odessa/Divulgação
(foto: Osnei Restio/Prefeitura de Nova Odessa/Divulgação)
Segundo dados do Ministério da Saúde, a aplicação de todas as vacinas do calendário adulto estão abaixo da meta no Brasil – incluindo a dose que protege contra o sarampo, doença que registra surtos em pelo menos três estados. Entre as crianças, a situação não é muito diferente: em 2017, apenas a BCG, que protege contra a tuberculose e é aplicada ainda na maternidade, atingia a meta de 90% de imunização.

A tendência de queda nas coberturas vacinais, segundo a pasta, começou a aparecer em 2016 e vem se acentuando desde então. Em 312 municípios brasileiros, menos de 50% das crianças foram vacinadas contra a poliomielite. Apesar de erradicada no país desde 1990, a doença ainda é considerada endêmica em pelo menos três países (Nigéria, Afeganistão e Paquistão) e ensaia uma reintrodução nas Américas caso a cobertura vacinal não se mantenha em 95%.

Em entrevista à Agência Brasil, Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, avalia que o sucesso da vacinação no país ao longo das últimas décadas e a consequente erradicação de doenças criaram uma falsa sensação de que as doses não são mais necessárias. Outro problema, segundo ela, é a divulgação das chamadas fake news (notícias falsas) nas redes sociais e que, no caso das vacinas, podem causar alarde e assustar a população.

"Se não tivermos a população devidamente vacinada, poderemos ter o risco de reintrodução de doenças. Existe, por exemplo, um fluxo constante de pessoas viajando. Se pararmos de vacinar, uma pessoa doente chega ao país e o vírus tem a chance de voltar a circular. Enquanto a doença não for erradicada no mundo, precisamos da vacinação", alerta a especialista.

De acordo com Carla Domingues, a situação do sarampo no Brasil é a que mais preocupa. Amazonas e Roraima, juntos, já registram cerca de 500 casos confirmados e mais de 1,5 mil em investigação. O Rio Grande do Sul também confirmou pelo menos seis casos. Países de alta renda, segundo a representante do Ministério da Saúde, "relaxaram" com a vacinação. Itália, Grécia e Bulgária são exemplos de nações com baixa cobertura vacinal para a doença.

"O sarampo é um risco concreto. Mais de 450 casos confirmados no norte, em Roraima e no Amazonas. Há casos confirmados no Rio Grande do Sul. Estamos investigando casos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Podemos ter uma retransmissão do sarampo em todo o país. Os próprios profissionais de saúde deixaram de achar que recomendação de vacina é importante", afirma.

A orientação do ministério é que todas as crianças, adolescentes e adultos até 29 anos recebam as duas doses previstas para imunização. Adultos com idade entre 30 e 49 anos devem receber uma dose.

Campanhas

Até 2012, o Brasil realizava duas campanhas anuais de vacinação contra a pólio – época marcada pelo personagem Zé Gotinha. Atualmente, acontecem apenas as campanhas de vacinação contra a gripe e de multivacinação, quando as doses do calendário infantil que estão atrasadas são atualizadas. Entretanto, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para situações de baixa cobertura, a pasta volta a realizar este ano campanha de vacinação contra a pólio e o sarampo.

As doses, segundo Carla Domingues, devem ser distribuídas em todo o país de 6 a 31 de agosto, no formato de campanha indiscriminada. Isso significa que todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos que procurarem os postos nesse período vão ser imunizadas – mesmo as que já haviam cumprido as doses previstas no calendário infantil. "Será uma oportunidade de dar à criança mais um reforço e aumentar a imunidade", diz.

Ainda de acordo com a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, a estratégia do Ministério da Saúde frente à baixa cobertura vacinal e aos recentes surtos registrados em diferentes regiões do país é a de mobilizar a sociedade e gestores para alertar sobre os riscos. Há situações, segundo ela, que envolvem, por exemplo, bairros específicos com baixa adesão às vacinas ou ainda problemas na hora de registrar os dados no sistema.

"A população só procura vacina quando o surto está na mídia e temos pessoas morrendo. Fora isso, as pessoas não são vacinadas. Como se a vacina fosse uma ação curativa e não preventiva. Ela deve vir antes do surto. É dessa forma que você ganha imunidade. Até porque a vacina vai demorar pelo menos 15 dias para fazer efeito e, em um surto, nesse espaço de tempo, você não fica devidamente protegido".

(com Agência Brasil)

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