Mercado de startups no Brasil esbarra na falta de profissionais qualificados

Especialistas acreditam que mão de obra desqualificada prejudica o país

por Encontro Digital 16/07/2018 12:46

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(foto: Pixabay)
Um dos problemas que preocupa os empreendedores de inovação é a falta de profissionais qualificados. Segundo especialistas, o mercado de tecnologia da informação no Brasil tem hoje cerca de 460 mil vagas de emprego abertas e não preenchidas por carência de pessoal com qualificação adequada.

Para Felipe Matos, um dos pioneiros em startup no país e autor do livro 10 mil Startups, o defícit de mão de obra pode prejudicar nossa competitividade no setor. Conforme o especialista, o número de estudantes graduados nunca foi tão grande, contudo, apenas 15% são da área de tecnologia, enquanto que a média mundial, também considerada baixa, é de 25%.

A Associação Brasileira de Startups (ABStartups) ressalta que o problema pode aumentar se as universidades e outras instituições de ensino, desde o ensino básico, não alinharem seus propósitos às novas necessidades do mercado para formação de profissionais com visão estratégica, solução inovadora para problemas e não apenas operacionais.

"Vale uma provocação para o setor acadêmico, que eu acho que está um pouco distante da nossa realidade. A gente ainda está passando por problemas de contratação. O aluno sai da faculdade e não está pronto para entender sobre a nova economia que está acontecendo, ele não conhece as novas vagas que estão surgindo no mercado", comenta Rafael Ribeiro, diretor-executivo da ABStartups, em entrevista para a Agência Brasil.

A nova economia e a transformação digital das empresas criaram novas linguagens e funções como "customer search" ou "startup hunter", termos poucos conhecidos dos recém-formados e até de profissionais experientes.

Ribeiro conta que a própria associação, que tem cerca de seis mil startups cadastradas, encontrou dificuldade para efetivar a contratação de um profissional nos últimos seis meses. "Não consegui contratar e a gente teve de desistir e começar a treinar", diz o presidente da ABStartups.

Na opinião de Felipe Matos, outro desafio é o desconhecimento sobre as startups, fruto de uma cultura ainda avessa a um novo modelo de negócio, que tem mais riscos e não segue a estrutura tradicional de uma empresa. O especialista acredita que casos de sucesso e o surgimento dos primeiros unicórnios (empresas que valem mais de US$ 1 bilhão) brasileiros, como o aplicativo de transporte 99, podem ajudar a transformar a cultura de negócios do país e estimular o surgimento de empreendedores.

A preocupação com a falta de recursos humanos para desenvolver a chamada "4ª Revolução Industrial" é compartilhada por integrantes do governo, que estudam a possibilidade de viabilizar algum tipo de programa para atrair talentos e startups internacionais e acelerar a formação dos profissionais brasileiros.

"Essa é uma preocupação que nós temos, não só de termos bons modelos de negócios, mas termos equipes técnicas que consigam executar projetos sofisticados e complexos. Por exemplo, você contratar alguém que vai trabalhar com a parte de inteligência artificial, que seja voltado para determinada indústria, precisa conhecer muito das tecnologias emergentes, e isso não é fácil de se encontrar no mercado", afirma Rafael Moreira, secretário de inovação e negócios do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

(com Agência Brasil)

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