Pediatras criticam estudo americano que recomenda alimentos sólidos para bebês

Sociedade Brasileira de Pediatria reforça a importância do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses

por Da redação com assessorias 18/07/2018 10:28

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(foto: Pixabay)
Depois que um estudo sobre supostas vantagens no padrão de sono de bebês que receberam precocemente alimentos sólidos na dieta, a partir de 3 meses de vida, foi publicado no periódico oficial da Associação Médica Americana (American Medical Society), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) enviou um comunicado à imprensa alertando sobre a importância das mulheres e das famílias seguirem a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de oferecer apenas o aleitamento materno aos bebês até os 6 meses de idade – complementado até dois anos ou mais.

"Interessante que esse artigo ganha espaço no noticiário justamente na semana que os Estados Unidos defendem a introdução de alimentação complementar na fase da amamentação em reunião da Assembleia Mundial da Saúde", comenta a pediatra Luciana Rodrigues Silva, presidente da SBP. Para ela, esse tema é "sinônimo de altos lucros para a indústria".

De acordo com estimativas, as empresas produtoras de fórmulas infantis movimentam em torno de US$ 70 bilhões ( cerca de R$ 270 bilhões) no mundo, com crescimento estimado para este ano de 4%, principalmente pelo aumento das vendas nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

Segundo os pesquisadores americanos, as crianças que receberam alimentação complementar ao aleitamento de forma precoce dormiram 16,6 minutos a mais aos 6 meses e sete minutos a mais ao longo do estudo quando comparadas com as que receberam apenas o leite materno. No período do estudo, os bebês consumiram papinhas com frutas ou arroz, mas sem substituição total do aleitamento. A pesquisa foi realizada com 1.225 crianças, moradoras do Reino Unido, com idades variando de 3 meses a 3 anos, e que tiveram coletados os dados sobre padrão do sono.

De acordo com a pediatra Lucila Bizari Fernandes do Prado, presidente do departamento científico do Sono da SBP, conclusões definitivas ainda dependem de outros estudos que venham ou não a confirmar os dados apresentados até o momento. Por sua, vez, o pediatra Hélcio Maranhão, do departamento de Nutrologia, reitera que há várias publicações que mostram os benefícios do aleitamento materno exclusivo, como também da introdução da alimentação complementar aos 6 meses, inclusive prevenindo a obesidade.

Já a pediatra Elsa Giugliani, presidente do departamento de Aleitamento Materno, aponta algumas limitações no trabalho, como o uso de dados secundários de um ensaio clínico randomizado. Ela lembra, ainda, que os indícios de aumento no tempo de sono são "modestíssimos". Para a especialista, qualquer mudança nas recomendações em vigência sobre a amamentação deve ser avaliada com rigor e sempre pesar os riscos e os benefícios.

"Será que vale a pena expor a criança aos possíveis problemas em decorrência de uma introdução precoce [da alimentação sólida], como diarreia e infecções respiratórias, por conta de sete minutos a mais de sono por noite?", questiona Elsa Giugliani. Na sua avaliação, o que deve ocorrer é oferecer condições para que pais e mães possam dar o suporte aos bebês, nessa fase da vida, em todos os horários.

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