Publicidade

Estado de Minas CIêNCIA

Pesquisadores afirmam que metais pesados ainda ameaçam o rio Doce

Tragédia ambiental de Mariana continua 'fazendo estragos', diz estudo


postado em 20/07/2018 11:25 / atualizado em 20/07/2018 11:36

Segundo estudo da USP em parceria com outras instituições, metais pesados provenientes do rompimento da barragem da Samarco ainda ameaçam o rio Doce(foto: Esalq/Divulgação)
Segundo estudo da USP em parceria com outras instituições, metais pesados provenientes do rompimento da barragem da Samarco ainda ameaçam o rio Doce (foto: Esalq/Divulgação)
Pesquisadores descobrem que, mesmo um ano e meio depois do desastre ambiental de Mariana, em Minas Gerais, caracterizado pelo vazamento de 50 milhões de m² de rejeitos de mineração da barragem de Fundão, pertencente à mineradora Samarco, o estuário do rio Doce ainda corre risco. O estudo foi realizado por cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), da Universidade de Santiago de Compostela, da Espanha, e da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

"A ideia era de que a maior parte daquele material liberado após o acidente ficasse nas proximidades da barragem e do município de Mariana. No entanto, a lama chegou a Regência, uma vila localizada no litoral do Espírito Santo, região importante ecologicamente, com intensa atividade de pesca e turismo, onde o rio Doce deságua", comenta Tiago Osório Ferreira, professor do departamento de Ciência do Solo da Esalq.

Segundo o estudo, o rejeito continua chegando ao estuário e o material está associado a metais pesados, que correm o risco de serem liberados no ambiente. "Em função das condições locais de solo, esses metais podem, a médio ou longo prazo, ser biodisponibilizados", afirma o docente da USP.

O também pesquisador pesquisador Hermano Queiroz identifica alguns dos metais encontrados: "Identificamos cobre, manganês, zinco, cromo, cobalto, níquel, chumbo, todos eles associados ao rejeito".

De acordo com os cientistas, a disponibilidade de metais pesados em um estuário pode resultar em um novo desastre ambiental. "Alguns desses metais são tóxicos e podem se acumular em plantas e peixes, acarretando efeitos potencialmente nocivos sobre a fauna e a flora associadas a esse ecossistema", destaca o Tiago Ferreira.

Os pesquisadores alertam ainda que é perigoso considerar apenas os patamares atuais de contaminação. "Olhando para os níveis de contaminação de hoje, apenas o níquel e o cromo, entre os metais analisados, estão em níveis superiores ao permitido pela legislação brasileira. No entanto, essa visão estática não acompanha a dinâmica da movimentação do material que segue em direção ao estuário periodicamente; por exemplo, cada vez que chove, mais rejeito é depositado", diz Hermano Queiroz.

Além disso, considerar os índices totais de contaminação mascara o fato do rejeito rico em ferro ser uma fração instável, podendo ser solubilizado e facilitar a liberação dos metais pesados. "Os oxihidróxidos de ferro, nas condições de solo estuarino, são suscetíveis a dissolução, o que poderá aumentar a biodisponibilidade e o risco de contaminação por metais", observa o pesquisador da Esalq.

(com Jornal da USP e assessoria de comunicação da Esalq)

Os comentários não representam a opinião da revista e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade