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Estado de Minas SAúDE

Tempo seco é um perigo para o coração

Baixa umidade e poluentes no ar são risco para doenças cardíacas


postado em 19/07/2018 13:42 / atualizado em 19/07/2018 13:52

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)
É normal que, nesta época do ano, a umidade relativa do ar fique abaixo de 30% em Belo Horizonte (MG). Apesar de parecer algo rotineiro, o índice é preocupante, já que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera valores abaixo de 60% como inadequados para a saúde. "Com a diminuição das chuvas, o ar fica cada vez mais seco. Isso dificulta ainda mais a dispersão dos poluentes produzidos pelo crescente número de automóveis nas cidades e pode comprometer a saúde da população", explica o cardiologista Abrão Cury, do Hospital do Coração (HCor), de São Paulo (SP).

Segundo o especialista, a poluição atmosférica concentrada pelo tempo seco representa o aumento da quantidade de substâncias tóxicas em suspensão, como monóxido de carbono, dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio e também dos chamados particulados (incluindo chumbo), liberados pelos veículos a combustão. "Isso potencializa não só a ocorrência de doenças respiratórias, mas também os riscos para o coração", comenta o médico.

O cardiologista explica que, ao inalarmos os poluentes, sofremos uma elevação significativa da pressão arterial. Além de ser fator de risco para derrames e infartos do miocárdio, em pessoas com problemas cardiovasculares ou com tendência à cardiopatia, o tempo seco e poluído também leva ao aumento de coágulos (trombos) no sangue, aumentando a propensão a arritmias cardíacas, vasoconstricção aguda das artérias, reações inflamatórias em diferentes partes do corpo, além do desenvolvimento de aterosclerose (entupimento das artérias) crônica. "Hipertensos e idosos são sempre os mais afetados. Tanto que em períodos de maior concentração de poluentes no ar, como no Inverno, o atendimento a pacientes com hipertensão triplica", revela Abrão Cury.

O especialista acrescenta que os gases e partículas emitidos pelos automóveis também podem alterar o endotélio das artérias, ou seja, a camada que as reveste internamente, o que ameaça ainda mais o coração. "Já é possível associar as substâncias liberadas pelo escapamento dos automóveis com o aumento dos casos de hipertensão arterial registrados no Brasil. Vale lembrar que a doença já afeta de 30% a 35% da população brasileira e é um dos principais fatores de risco para a ocorrência de infartos e AVCs no país", alerta o cardiologista.

O médico orienta cardiopatas ou pessoas que têm propensão ou histórico familiar de doenças cardiovasculares a evitar o contato com o ar poluído, especialmente durante a tarde, quando a umidade relativa do ar cai drasticamente. É preciso ainda manter a hidratação adequada, ainda mais porque a sensação de frio pode induzir à menor ingestão de água.

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