OIT alerta que as vítimas do HIV ainda são discriminadas no mercado de trabalho

Mesmo com os tratamentos, soropositivos sofrem com desemprego e discriminação

por Encontro Digital 26/07/2018 15:50

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pixabay
(foto: Pixabay)
Uma pesquisa realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que, apesar dos progressos no tratamento contra o HIV, as vítimas do vírus causados da Aids ainda continuam sendo discriminadas e têm mais dificuldades em manter os empregos e progredir na carreira.

A conclusão foi apresentada nesta semana, na 22ª Conferência Internacional Sobre Aids, em Amsterdã, na Holanda.

O estudo foi realizado em 13 países, entrevistando mais de 100 mil pessoas. Grande parte dos entrevistados está desempregada. A taxa de desemprego de soropositivos varia de 7% em Uganda a 61% em Honduras.

Dentre os países analisados, 10 nações tinham taxas de desemprego de 30% ou mais. Este problema afeta mais os jovens, com porcentagens que vão de 11% na Coreia do Sul a 61% na Grécia.

Quatro países têm valores acima de 50%. Um deles é Timor-Leste, a única nação lusófona no estudo, onde metade dos jovens que vivem com HIV está desempregada.

Gênero

Os números também revelam uma desigualdade de gênero, com as mulheres tendo menos probabilidade de emprego devido à responsabilidade de cuidar de outras pessoas. A falta de uma fonte de rendimento independente também é alta, mostrando que as mulheres não têm a mesma autonomia financeira dos homens.

Em todos os países analisados, o desemprego de pessoas transexuais continua alto.

Discriminação

Outra conclusão do relatório diz respeito às pessoas que perdem o trabalho. A porcentagem de pessoas com HIV que trabalhavam e perderam o emprego ou uma fonte de rendimento devido à discriminação por parte de patrões ou colegas vai de 13% nas Ilhas Fiji a 100% no Timor-Leste.

Os percentuais foram igualmente altos em Belize (86%), Nicarágua (67%), Grécia (80%), e Costa Rica (53%).

A pesquisa inclui depoimentos anônimos, como a de uma ucraniana forçada a entregar uma carta de demissão depois do patrão descobrir que era soropositiva, ou uma pessoa de Camarões que não passou em um processo de seleção para um emprego depois de informar que convivia com o vírus da Aids.

Segundo a pesquisa, situações como esta mostram o motivo porque muitas pessoas ainda escondem sua situação. Esta mesma discriminação também é a causa de muitos homens e mulheres não progredirem nas suas carreiras.

Para Shauna Olney, chefe do departamento de Igualdade e Diversidade da OIT, "é triste que, apesar de anos de trabalho, o estigma e a discriminação ainda persistem".

Segundo ela, o relatório "mostra que o tratamento mantém estas pessoas saudáveis e produtivas, mas isso não é suficiente. É preciso trabalhar mais para acabar com o estigma e discriminação no local de trabalho, porque estas pessoas têm direito a emprego e ninguém lhes pode negar isso".

(com Agência Brasil)

Últimas notícias

Comentários