Esquistossomose ainda é um desafio no Brasil

Doença está ligada à falta de saneamento básico

por Encontro Digital 01/08/2018 15:43

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pixabay
(foto: Pixabay)
Com 1,5 milhão de pessoas vivendo em áreas com risco de contrair esquistossomose, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil está numa situação considerada intermediária em comparação com 78 países em que a doença permanece endêmica. Além disso, mais de 60% da população brasileira vive sem acesso a saneamento básico adequado.

"Isso é inaceitável para um país do porte do Brasil e com o nível de desenvolvimento que tem", afirma Léo Heller, relator Especial do Direito Humano à Água e ao Esgotamento Sanitário das Nações Unidas (ONU) e pesquisador do Instituto René Rachou, da Fiocruz de Minas Gerais, em entrevista à Agência Brasil.

Vale lembrar que a esquistossomose é causada por vermes parasitas que vivem na água doce e está diretamente relacionada ao saneamento básico. É considerada a segunda doença parasitária mais devastadora socioeconomicamente do mundo, atrás apenas da malária. No Brasil, há maior incidência na região nordeste e no estado de Minas Gerais.

Controle ambiental

Segundo Heller, o chamado controle ambiental da doença pode evitar que as pessoas, em especial as camadas mais pobres da população, contraiam a esquistossomose. "Intervenções no ambiente, impedindo a ocorrência dos criadouros e também dando condição às pessoas para que não tenham necessidade de acesso a cursos d'água, eu defendo como soluções permanentes de largo alcance e com grande efetividade", diz o especialista.

Ainda de acordo com o pesquisador, estudos mostram que quando há intervenção em esgotos, impedindo que cheguem a cursos d'água, ocorre uma interrupção de parte do ciclo de transmissão de várias doenças, especialmente a esquistossomose. Quando há fornecimento de água tratada nas casas, as populações ribeirinhas deixam de usar os cursos d'água, evitando uma das formas de contaminação por parasiats. "Há estudos que mostram que ambas as intervenções em água e esgoto têm efeito positivo no controle da esquistossomose", completa Léo Heller.

Planejamento

Para o pesquisador, é importante que haja planejamento de longo prazo, além de investimento público em saneamento. "Não há registro na maioria dos países de situações em que se universalizou o acesso sem forte investimento público".

Ele ressalta também que os serviços devem ser prestados com base nos princípios dos direitos humanos, ou seja, em igualdade de condições, sem discriminação. Heller afirma ter visto muita discriminação nos países que visitou. "As populações que não têm serviço são em geral as mais pobres, estão na zona rural, vivem nas favelas, famílias em que a mulher é o chefe da família. São justamente populações mais vulneráveis, que não têm acesso a esse serviço e vão ter risco de desenvolver não apenas esquistossomose, mas um conjunto de outras doenças, porque já são excluídos de outros serviços".

(com Agência Brasil)

Últimas notícias

Comentários