Há um ano Uruguai legalizava a maconha

Experiência de controle estatal da produção da droga influenciou outros países

por Encontro Digital 03/08/2018 13:41

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(foto: Pixabay)
Em julho deste ano, completou um ano desde a legalização da venda de maconha no Uruguai. O processo de abertura para a aquisição legal da droga começou em 2013 e passou por diversas etapas, até chegar na produção controlada pelo governo federal e a venda da erva em farmácias licenciadas. Com o intuito de reduzir a violência, o encarceramento e o tráfico de drogas, o então presidente do país, José Mujica, deu início ao processo de legalização do uso da Cannabis sativa.

Após cinco anos dessa liberação, o cultivo estatal é encarregado de abastecer as farmácias. Além disso, ainda é possível a plantação individual, de até seis mudas por pessoa, e os clubes de cultivo, que podem contar com até 45 membros. Segundo o pesquisador Júlio Delmanto, da USP, por um lado é bom existir alguma forma de controle social do estado, por outro, há todos os vícios desse controle estatal como a política, negociatas, trocas, burocracia.

"Hoje em dia já existem políticas de controle de drogas sem precisar mudar as convenções internacionais. Pesquisas mostram que não aumenta a procura pela droga se ela é legalizada ou não, como também diminuiu o poder do tráfico e a violência", afirma Delmanto em entrevista à Rádio USP.

Antes mesmo da legalização, o uso da maconha nunca foi criminalizado no Uruguai, mas quando Mujica iniciou o processo de abertura e produção, 70% da população se declarava contrária à lei. Atualmente, 44% dos uruguaios são favoráveis e 41% contrários, de acordo com pesquisa elabortada pelo Monitor Cannabis, que é um centro de estudos da Faculdade de Ciências Sociais da Universidad de La República, em Montevideo.

A experiência uruguaia influenciou outros países como o República Tcheca, Canadá, Portugal e Espanha, que também estão trabalhando em legislações para descriminalizar e legalizar o uso da maconha.

(com Rádio USP)

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