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Estado de Minas MEIO-AMBIENTE

Óleo de cozinha pode ser transformado em gás metano

Técnica faz parte de um estudo feito no Canadá


postado em 20/08/2018 12:45 / atualizado em 20/08/2018 13:03

(foto: Valério Ayres/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Valério Ayres/Esp. CB/D.A Press)
Apesar da crescente preocupação com o meio-ambiente, muitas pessoas desconhecem os produtos que ão podem ser descartados no lixo comum, como pilhas, baterias e o óleo de cozinha. Para resolver parte do problema, pesquisadores canadenses desenvolveram uma tecnologia capaz de quebrar gorduras presentes no principal resíduo das cozinhas e em materiais semelhantes usados na indústria, como a graxa.

O processo químico ainda traz como benefícios a produção do gás metano, uma fonte de energia renovável. Além disso, a quebra do óleo evita possíveis entupimentos da rede de esgoto. Recentemente, por exemplo, a população de Londres foi surpreendida com os "fatbergs", depósitos sólidos de resíduos gordurosos que bloquearam as tubulações da cidade.

Na pesquisa canadense, os compostos de gordura são aquecidos a uma temperatura que varia de 90º C a 100º C e, em seguida, recebem peróxido de hidrogênio, um produto que estimula a decomposição da matéria orgânica. Em testes, o tratamento reduziu o volume de sólidos presentes nos óleos em até 80%. Também houve liberação de ácidos graxos, o que permitiu a passagem para a segunda etapa do tratamento, quando o material é decomposto por bactérias.

Ao se alimentar do material orgânico abundante nos restos gordurosos, os micro-organismos podem produzir gás metano. "Esses óleos são uma excelente fonte para as bactérias, que podem transformá-los numa valiosa energia renovável. Mas, se eles forem muito ricos em compostos orgânicos, as bactérias não podem lidar, e o processo se torna ineficiente. Na temperatura certa, asseguramos que os resíduos têm potencial para gerar grandes quantidades de metano", explica a pesquisadora Asha Srinivasan, pesquisadora da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, em entrevista para o jornal Correio Braziliense.

Para os criadores da tecnologia, será possível usá-la também dentro de casa, devido à simplicidade da técnica. "O princípio seria o mesmo: você faz o pré-tratamento desses resíduos para não entupir os canos do local onde vive", comenta o também pesquisador Victor Lo, que fez parte da pesquisa.

Nas fazendas

Segundo Asha Srinivasan, os óleos submetidos ao processo químico também podem ser de grande auxílio para a área agrícola, que se beneficiaria com melhoramento na fabricação do metano. "Geralmente, eles são misturados com lodo de esgoto ou esterco. Mas, sem passar por um processo de decomposição, esses resíduos não podem ser usados diretamente no biodigestor para produção de biogás. Por isso, atualmente, apenas uma quantidade limitada desses óleos pode ser usada para esse fim. Os agricultores, normalmente, restringem o uso desse tipo de resíduo a menos de 30%. Com a nossa técnica, a quantidade pode subir para 75%. Você teria duas vantagens: reciclaria mais resíduos de óleo enquanto produziria mais metano", diz a pesquisadora ao Correio.

A equipe canadense já planeja aperfeiçoar a técnica, mas acredita que o método já apresenta vantagens consideráveis, que fazem dele um grande candidato a ser incorporado por empresas. "Até onde sabemos, esse tipo de pré-tratamento não foi estudado antes, embora existam métodos químicos simples para decompor os óleos. Esperamos fazer mais pesquisas para encontrar a proporção ideal da decomposição desses resíduos", afirma Victor Lo.

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