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Estado de Minas CIêNCIA

Porcos também gostam de ouvir Bach

Pesquisa da USP descobre benefício da música erudita na suinocultura


postado em 12/09/2018 12:47 / atualizado em 12/09/2018 13:06

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)
Quem disse que apenas os humanos gostam de ouvir música erudita? Um estudo realizado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba (SP), descobriu que porcos tiveram uma melhoria no bem-estar, algumas mudanças de comportamento e até apresentaram alterações alimentares ao ouvir esse tipo de música.

Segundo a zootecnista Érica Harue Ito, principal autora da pesquisa, houve uma diminuição dos comportamentos agonísticos (brigas e perseguições) e um aumento nas relações lúdicas (brincadeiras e interações pacíficas) nos animais que ouviram o prelúdio da Suíte nº 1 em Sol Maior para Violoncelo, obra do célebre compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750).

Aqui está a composição tocada para os animais:


Outro fator observado pela pesquisadora foi o consumo de ração e ganho de peso. Érica revela ao Jornal da USP que ficou surpresa em perceber que os porcos que ouviram música tiveram o mesmo ganho de peso consumindo uma quantidade menor de ração. Ela ressalta a importância dessa descoberta para o produtor de suínos: "50% do custo da produção de suínos é a ração. A melhora de 1% disso faz uma diferença muito grande para produtores de animais, que ganham em centavos".

O estudo buscou validar o uso em campo aberto do método conhecido como enriquecimento sonoro. Em ambiente fechado, essa técnica já é reconhecida e oferece a possibilidade de controlar fatores como temperatura e umidade. Em campo aberto, esses fatores podem apenas ser monitorados. A música foi escolhida com base em referencial teórico, o que era necessário por ser validação de um novo método. "Como eu estava validando uma metodologia em instalações abertas, eu tinha que seguir alguma coisa que já existia na literatura. Pesquisei sobre rock, pagode, mas não encontrei nada", comenta a zootecnista ao periódico universitário.

Érica Harue Ito alerta que o estudo é apenas parte de um quebra-cabeça, pois além de faltar entender como a música erudita afeta os animais, há também a possibilidade de se testar outros gêneros musicais e avaliar se possuem o mesmo efeito.

Ainda assim, a cientista lembra que a pesquisa pode ajudar os suinocultores, já que a música é um recurso barato, ao qual todo mundo tem acesso, e se mostrou eficiente. "É muito fácil alguém que é leigo no assunto ter um cachorro ou um gato de estimação e entender que aquele animal sofre, sente fome, precisa de carinho e tem sentimentos. Mas é muito difícil ainda, para a grande maioria das pessoas, entender que a vaca que dá leite, o porco que dá carne, a galinha que dá ovo, também têm esses mesmos sentimentos", afirma a zootecnista. Ou seja, nada mais justo do que buscar situações que proporcionem aos bichos viverem, se reproduzirem e crescerem de maneira agradável e de forma ética.

(com Jornal da USP)

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