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Estado de Minas SÃO PAULO

Maré vermelha incomum é registrada no litoral paulista

Em São Sebastião foi encontrada microalga do gênero Margalefidinium, que não existe nessa região


postado em 12/04/2019 11:49 / atualizado em 12/04/2019 11:52

(foto: Alvaro Migotto/Cebimar/Divulgação)
(foto: Alvaro Migotto/Cebimar/Divulgação)
Nos dias 13 e 14 de março deste ano, as praias de Guaecá e do Segredo, em São Sebastião, no litoral de São Paulo, registraram a ocorrência do fenômeno chamado maré vermelha, com concentração de microalgas que chegou a dois milhões de microrganismos por litro de água. De acordo com o Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da Universidade de São Paulo (USP), a responsável pelo fenômeno foi identificada como sendo do gênero Margalefidinium, que é considerada incomum para o litoral paulista. Além disso, é potencialmente tóxica para peixes e outros organismos que compõem o ecossistema marinho.

"Essa é uma espécie que não tem muito registro em São Paulo. Aqui eu nunca tinha visto. Saí ligando para todo mundo para ver se alguém já tinha encontrado na costa de São Paulo e ninguém viu. Não quer dizer que não tinha, quer dizer que ninguém viu. Mas não é muito costumeira aqui", comenta a professora Áurea Ciotti, do Cebimar, citada pelo Jornald a USP. Ela lembra que as Margalefidinium foram inicialmente reportadas na Ásia.

A professora explica que a maré vermelha surge quando as florações de microalgas crescem em concentração tão alta que podem ser reconhecidas pelas manchas coloridas – muitas vezes, avermelhadas – na superfície do mar. No caso dos dinoflagelados, grupo ao qual pertencem as microalgas do gênero Margalefidinium, a concentração normal para essas praias de São Sebastião costuma ser de centenas de organismos por litro de água.

De acordo com Áurea Ciotti, as florações das microalgas ocorrem quando a temperatura favorece o crescimento de determinadas espécies e há excesso de nutrientes nas águas. O problema é que a equipe do Cebimar ainda não sabe dizer de onde veio a Margalefidinium que é estranha ao litoral paulista.

(foto: Cebimar/Divulgação)
(foto: Cebimar/Divulgação)
Os pesquisadores da USP trabalham com a hipótese de que as fortes chuvas de março tenham favorecido o crescimento dos microrganismos, já que, durante a coleta, foi registrada salinidade abaixo do padrão na água de São Sebastião. Além de aumentar o volume dos córregos e rios que desaguam no mar, as chuvas "lavam" o solo e arrastam para o oceano tudo que está no caminho. A chegada de mais nutrientes funciona como uma espécie de "fertilização" para os microrganismos, de forma semelhante ao que acontece na terra com as plantas. Quanto à temperatura, durante as coletas dos dias 13 e 14 de março, as águas do canal chegaram a 29º C. A ocorrência da maré vermelha foi relatada ao órgão estadual responsável, informa o Jornal da USP.

Embora causas variadas possam influenciar a proliferação de organismos que compõem o fitoplâncton, como as mudanças climáticas ou a introdução de novas espécies por águas de lastro de navios, Áurea Ciotti destaca o impacto da ocupação humana no litoral.

"Na maior parte dos sistemas costeiros que têm problemas com maré vermelha, existe uma relação bem forte com a ocupação desses lugares. Você constrói, tem uma erosão dos terrenos e os nutrientes são carreados para a água do mar", diz a professora, lembrando ainda do problema da baixa coleta de esgoto. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) realizada em 2017 pelo IBGE, 88,9% das residências da região sudeste têm saneamento básico. Mas o número pode variar conforme o município. Dados do último Censo, realizado em 2010, aponta que, enquanto São Sebastião conta com coleta de esgoto adequada em 82,1% das casas, na vizinha Ilhabela, por exemplo, a rede alcança apenas 36%.

(com Jornal da USP)

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