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Estado de Minas CURIOSIDADE

Existe um besouro venenoso no Brasil

Das 250 mil espécies do inseto, só o besouro-escorpião inocula veneno


postado em 02/04/2019 13:15 / atualizado em 02/04/2019 13:06

(foto: Antonio Sforcin Amaral/Unesp/Divulgação)
(foto: Antonio Sforcin Amaral/Unesp/Divulgação)

Normalmente, ninguém se preocupa com os besouros, a não ser que tenha fobia de insetos. Existem 250 mil espécies conhecidas de besouros, espalhadas por todo o mundo – exceto nas regiões polares. Apesar de pequenos, são considerados extremamente fortes.

Ainda que sejam uma "ameaça" a certas plantações, eles atuam no controle biológico de outras pragas, proporcionando um importante equilíbrio no meio-ambiente.

Até então considerados inofensivos para os humanos, um estudo realizado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu (SP) descobriu uma espécie de besouro nociva ao homem e extremamente rara: o besouro-escorpião (Onychocerus albitarsis). O nome dele já reflete o risco.

Ele possui um ferrão nas pontas das antenas e seu veneno causa muita dor. De acordo com o site da Unesp, esse sintoma foi descrito por duas "vítimas' do inseto: no ano passado, uUma mulher e um homem, ambos com cerca de 30 anos, transitavam em áreas rurais nas cidades de Botucatu e Boituva, no interior de São Paulo, quando acabaram sendo ferroados.

"No primeiro caso a vítima descreveu dor aguda e um quadro alérgico local que durou cerca de 24 horas. No segundo houve dor aguda também, mas o quadro alérgico durou apenas uma hora. Isso é curioso, pois dois quadros distintos se desenvolveram com a picada e ainda não sabemos o por quê pois é necessário mais estudos sobre a composição da toxina", comenta o biólogo Antonio Sforcin Amaral, responsável pelo estudo, citado pelo site da Unesp.

"O besouro já era conhecido, mas só havia um registo de acidente causado por ele no Peru. E esse registro dele no interior de São Paulo é inédito e não sabíamos como a picada dele se desenvolvia direito. A descoberta é importante pois muitas vezes uma pessoa picada por animal não consegue identificar o causador do acidente. Então é comum procurarmos atendimento médico sem saber o que nos picou", diz o pesquisador.

Segundo Antonio Sforcin, o trabalho ainda é preliminar, mas abre espaço para se estudar mais profundamente a toxina do inseto e os tratamentos adequados no caso de acidentes futuros.

O besouro-escorpião mede cerca de dois centímetros de comprimento e seu corpo é caracterizado por tons de cinza, marrom e preto.

"A existência de um besouro peçonhento é surpreendente pois não é conhecido outro capaz de inocular toxinas. Então, da perspectiva biológica, abre-se margem para entender como se deu o desenvolvimento das glândulas de toxina na ponta das antenas, um lugar incomum para se usar na defesa", comenta o biólogo.

(com portal da Unesp)

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