Museu inglês retira quadro de exposição e reacende discussão sobre censura na arte

Depois dos casos no Brasil, é a vez de uma galeria em Londres causar polêmica sobre como vemos as obras de arte

por Marcelo Fraga 05/02/2018 14:33

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Twitter/ColinGPaterson/Reprodução
O quadro Hylas and the Nymphs, do pintor inglês John William Waterhouse foi retirado de uma exposição, em Londres, para supostamente gerar debate sobre como a mulher foi retratada na obra (foto: Twitter/ColinGPaterson/Reprodução)
Depois das polêmicas envolvendo exposições de arte no Brasil, como a do Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo, e a do Santander Cultural, em Porto Alegre (RS), agora é a vez da galeria de arte de Manchester, na Inglaterra, aparecer no centro de um debate que ganhou repercussão mundial, especialmente na internet.

O espaço cultural inglês resolveu retirar da área de exibição a obra Hylas and the Nymphs, que estava em exposição na sala Em Busca de La Belleza. O quadro em questão apresenta sete ninfas – figuras femininas nuas e jovens, que têm origem na mitologia grega – em contato com um homem. O quadro foi criado pelo pintor inglês John William Waterhouse, no final do século XIX.

Segundo a galeria de arte de Manchester, como a obra poderia ser interpretada de diversas formas, a direção resolveu retirá-la da parede, não como forma de censura, mas, para, propositalmente, provocar uma discussão entre seus frequentadores. "Esta pintura apresenta o corpo feminino como uma forma decorativa passiva ou uma 'femme fatale'?", questiona um texto publicado no site oficial do museu.

No local onde o quadro estava exposto, a galeria inglesa permitiu que visitantes colem 'post-its' para mostrar o que estão pensando sobre a retirada da obra. "A galeria existe em um mundo cheio de questões interligadas de gênero, raça, sexualidade e classe, que afetam a todos nós. Como as artes podem falar de maneiras mais contemporâneas e relevantes? Quais outras histórias essas obras de arte e seus personagens podem contar?", diz, ainda, o texto no site oficial do museu.

No Twitter, a publicação feita pelo jornalista inglês Colin Paterson, da agência britânica de notícias BBC, sobre a retirada da obra, recebeu mais de 400 comentários de internautas, que, em sua maioria, reclamam que deixar de expor o quadro pode ser um precedente para a censura sobre outras manifestações artístiscas que causem interpretações equivocadas.
Twitter/ColinGPaterson/Reprodução
No lugar em que estava sendo exposta a obra na galeria de arte de Manchester, visitantes foram convidados a deixar comentários por meio de post-its (foto: Twitter/ColinGPaterson/Reprodução)

Polêmicas no Brasil

No fim de 2017, o Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo, e o Santander Cultural, em Porto Alegre, também geraram polêmica. No primeiro caso, foram gravadas, pelo público, imagens que mostravam uma criança se aproximando e tocando um artista que fazia uma performance nu, o que rendeu acusações de pedofilia. Já no segundo caso, a exposição Queermuseu trazia diversas obras sobre o universo LGBT e sobre questões de gênero, que foram interpretadas por algumas pessoas como sendo ligadas à zoofilia, à pedofilia e à heresia.

Últimas notícias

Comentários