Publicidade

Estado de Minas ARTES PLÁSTICAS

Esqueça tudo o que você sabe sobre a pintura O Grito

Mensagem deixada por Edvard Munch revela a verdade sobre o quadro


postado em 22/03/2019 13:29 / atualizado em 22/03/2019 13:34

Mensagem descoberta numa litografia da obra O Grito, de Edvard Munch, revela que o personagem não está gritando(foto: The Munch Museum/Creative Commons/Reprodução)
Mensagem descoberta numa litografia da obra O Grito, de Edvard Munch, revela que o personagem não está gritando (foto: The Munch Museum/Creative Commons/Reprodução)

Uma das obras de arte mais famosas do mundo pode ter sido interpretada de forma errada há mais de 120 anos. Uma inscrição presente numa versão até então desconhecida da pintura O Grito, do norueguês Edvard Munch (1863-1944), contradiz a interpretação até hoje aceita da obra, sugerindo que o protagonista não está gritando. A informação foi divulgada pela emissora russa RT.

O próprio artista escreveu, numa litografia datada de 1893 e que representa a mesma cena, o seguinte texto: "Senti um grande grito em toda a natureza". Esta simples anotação sugere que o conhecido personagem em primeiro plano na obra, com os olhos arregalados e a boca aberta, não está emitindo um grito, mas sim, tampando as orelhas, aterrorizado por algum barulho que surgiu à sua volta. Essa abordagem também se encaixa no título original dado pelo autor à pintura: O Grito da Natureza.

Para lembrar os 75 anos da morte de Munch, o Museu Britânico, de Londres, na Inglaterra, organizou uma exposição que exibe, entre outras obras do aclamado artista norueguês, a reveladora litografia. Citada pela RT, Giulia Bartrum, curadora da mostra, diz que essa versão de O Grito "deixa claro que a mais famosa obra de arte de Munch representa alguém ouvindo um 'grito' e não, como muitas pessoas pensavam e discutiam, uma pessoa gritando".

A famosa obra famosa de Edvard Munch é considerada na história da arte como um dos grandes símbolos do expressionismo, movimento que surgiu no início do século XX na Alemanha e é representado também por nomes como Goya, Chagall e Modigliani. Mas o quadro do norueguês é visto por muitos especialistas como uma representação da angústia existencial do ser humano, especialmente em virtude da revolução industrial na virada do século XIX para o XX.

No entanto, a própria mensagem deixada pelo autor questiona a validade dessa afirmação e abre as portas para interpretações menos existencialistas e até mesmo para as mais simples. De acordo com Giulia Bartrum, Munch estava andando por um fiorde na cidade de Oslo, em 1892, quando o céu de repente adquiriu um tom avermelhado. Essa visão teria um impacto profundo para o artista. 'Munch deliberadamente incluiu o título nessa versão para descrever como foi inspirado pela ansiedade que, de repente sentiu", diz a curadora, citada pela RT. Para ela, o pintor "estava tentando capturar uma emoção ou momento no tempo".

Esse sentimento retratado por Evard Munch seria justamente o da "natureza gritando ao seu redor". "Não tenho dúvidas de que essa figura icônica está reagindo a forças externas da natureza. Mas o que ainda pode ser debatido é se, para Munch, essas forças eram reais ou psicológicas", completa a curadora do Museu Britânico.

Os comentários não representam a opinião da revista e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade