Seis feiras em BH para comprar alimentos direto dos produtores

Empreendedores da agricultura familiar atraem consumidores em busca de alimentos livres de agrotóxicos

por Geórgea Choucair 26/06/2017 14:29

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Ronaldo Dolabella/Encontro
Christian Nojoza, do Vem da Terra, cultiva orgânicos em Caeté há dois anos. "São alimentos com maior quantidade de vitaminas" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Brigadeiro de pequi, geleia de jaca com umbu, bolo de caqui, biscoito de gorgonzola e pesto de hibisco vegano. Além disso, ovos caipira, hortifrútis sem agrotóxicos, alimentos sem glúten ou lactose, pães, sorvetes, chocolates, azeites e conservas artesanais. Essa gama de produtos e outros mais têm levado milhares de consumidores belo-horizontinos às ruas em busca de feiras formadas por empreendedores da agricultura familiar. Lá eles encontram alimentos mais saudáveis para todos os gostos e ainda aproveitam para curtir o ambiente.

"O público é variado e vai desde crianças a senhoras de 90 anos", afirma Eduardo Maya, idealizador e gestor do projeto Aproxima, que tem uma edição fixa em junho e edições itinerantes no primeiro sábado de cada mês. Além de consumirem e comprarem alimentos preparados de forma 100% artesanal, os clientes entram em contato direto com quem produz. Os donos das barracas dão dicas de preparo das receitas e contam um pouco mais da história dos itens que vão para a sacola da clientela. Muitas das feiras têm área para a criançada brincar, o que é bom tanto para os pequenos quanto para os pais.

A cada edição da Feira Fresca, os expositores levam seus produtos de acordo com a sazonalidade. "Trabalhamos com a fartura que a terra oferece no momento", explica Izadora Delforge, idealizadora, que coordena o projeto ao lado do sócio, Gabriel Lana. O evento começou no ano passado em espaços da região Centro-Sul da capital e deve se estender para outras áreas no segundo semestre. A empresária Renata Penteado Barlebén foi com o filho Vinícius, de 4 anos, a uma edição da feira na Casa Ateliê. Lá ela comprou queijo, doce de leite de cabra sem lactose e molho pesto vegano. "Desde que meu filho nasceu, mudei muito a alimentação da família", diz. Todos passaram a comer produtos mais saudáveis, sem glúten e lactose.

Ronaldo Dolabella/Encontro
Júlia Mello e Juliana Barga costumam dividir espaço nas barracas: produtos naturais e de época fazem parte dos artigos expostos pela dupla (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Depois de fazer uma oficina de produção de lanches de alimentos orgânicos junto a outras crianças na Feira Fresca, o pequeno João Emanuel Andrade, de 4 anos, surpreendeu a mãe, a pedagoga Talyta Andrade Pires. "Ele comeu coisas que não tem o hábito, como sanduíche com legumes", afirma. "As outras crianças incentivaram o consumo", diz.

O casarão de 1920 da nova loja do estilista Ronaldo Fraga, no Funcionários, também tornou-se palco de orgânicos aos sábados. "A ideia é trazer o perfume de tempos mais humanizados e uma relação mais afetuosa no comércio", diz Ronaldo, responsável pela Feira do Hotel. Na sua avaliação, as pessoas estão mais sensíveis na busca de produtos com qualidade orgânica e procedência comprovada. Antes de cadastrar os expositores, funcionários da loja visitam os locais de produção. "É uma forma de o consumidor escapar de tanto veneno que consome no dia a dia", afirma o estilista.

Os produtores, claro, comemoram a onda. É o caso de Christian Nojoza e do sócio Wellington Calijorne, que têm produção de orgânicos em Caeté há dois anos. Do projeto nasceu a marca Vem da Terra Orgânicos, que participa de três feiras pela cidade. A venda direta aos consumidores representa 70% do faturamento dos produtores. "Vendemos itens com maior quantidade de vitaminas", garante Christian.

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Com o filho Vinícius, Renata Barlebén comprou queijo, doce de leite de cabra e molho pesto vegano na Feira Fresca: "Desde que ele nasceu, mudei muito a alimentação da família" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
As pequenas produtoras Júlia Mello e Juliana Barga costumam dividir o espaço nas barracas durante as feiras. A mãe de Júlia é cozinheira e o projeto de vender produtos artesanais nasceu quando ambas tinham restaurante. Hoje é dona da Simplesmente Saudável, que vende desde temperos caseiros a produtos de época, como bolos, molhos e geleias de frutas. "O público tem interesse de saber de onde vem o produto, quem faz as coisas que ele compra", diz Júlia. Já Juliana deixou a profissão de relações-públicas para dedicar-se à Mistura Artesanal, de itens como granolas, pasta de amendoim e manteiga ghee (sem lactose e glúten). "Sentia falta desse tipo de produto em Belo Horizonte. E o sabor é mais atrativo do que o dos industrializados", diz.

O fato de as feiras serem ambientes ricos para encontros atrai a clientela. "Muitas famílias passam horas por lá com crianças. E aproveitam para trocar ideias com produtores e outros consumidores", afirma Fernando Rangel, secretário executivo da Rede Terra Viva, rede de agroecologia e economia solidária. Na feira Direto do Campo, os produtores da região de Ibirité, no pé da Serra do Rola Moça, têm a chance de levar seus hortifrútis agroecológicos. "O nosso objetivo é abrir mercado com preço justo e valorizando o trabalho e renda do agricultor familiar", afirma Rodrigo Soares, diretor executivo e coordenador de projetos ambientais da ONG No Ato Ambiental, que idealizou a feira, realizada em parceria com a Associação de Agricultores Agroecológicos e Biodinâmicos da Serra do Rola Moça (AABD). "A ideia é transformar a unidade de produção da associação em centro de referência da agricultura sustentável", diz Rodrigo.

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Talyta Andrade Pires ficou surpresa quando seu filho, Emanuel, comeu sanduíche com legumes: "Ele tem resistência a legumes e verduras, mas aqui na feira as outras crianças incentivaram o consumo" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Depois de acompanhar em vários eventos o namorado, produtor de cerveja artesanal, Rafaela Bonelli decidiu montar seu próprio projeto, em formato diferente. Na Feira do Bem, ela e a sócia Bárbara Bhering vendem cervejas artesanais, mas também itens como suculentas, hortas verticais, bonecas de pano e hortifrútis orgânicos. "Não somos nós que produzimos, mas fazemos a ligação direta entre produtor e consumidor final", afirma Rafaela.

Os produtores interessados em participar das feiras devem seguir algumas regras. A mais importante: nas barracas não entram industrializados. Os itens são naturais e não podem ser vendidos em supermercados e grandes redes de comércio.  "Queremos valorizar a comida e a bebida mineiras. E mostrar toda a qualidade para o estado, o Brasil e mundo", afirma Eduardo Maya, do Aproxima.

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