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Estado de Minas BEM-ESTAR

Que tal tirar o açúcar refinado de sua dieta?

Especialista fala sobre alguns tipos de adoçantes e açúcares que causam menos problemas no organismo


postado em 03/07/2017 13:00

Quem resiste a uma mesa cheia de doces e guloseimas? No Brasil, essas delícias já fazem parte da cultura e tradição de muita gente. O problema é que todo esse excesso de "doçura" causa problemas que vão além do ganho de peso. A alta ingestão do carboidrato aumenta o risco de diversas patologias como hipertensão, obesidade e, principalmente, o diabetes. Portanto, para ter uma vida saudável e prevenir essas e outras alterações metabólicas, é fundamental reduzir o consumo ou buscar alternativas mais saudáveis ao açúcar refinado, sem prejudicar o sabor dos alimentos.

Como mostra a nutricionista esportiva Luciana Guerreiro, da Nature Center, o tipo de açúcar mais consumido no Brasil e no mundo é a sacarose. O problema é que o ingrediente não agrega nenhum benefício para quem o consome, pelo contrário, por ser um carboidrato simples, de alto índice glicêmico, ele é capaz de resultar no ganho de peso e outras disfunções metabólicas se consumido em excesso. "O produto é extraído da cana, ou seja, é natural, no entanto, para chegar à aparência que conhecemos na mesa, ele passa por diversos processos químicos que removem todos os nutrientes presentes na planta. Desta forma, o ingrediente perde todo o seu valor nutricional", esclarece a especialista

Nem todos sabem, mas a ingestão excessiva de carboidratos simples, como o açúcar refinado, eleva o nível de glivemia do corpo, exigindo que o pâncreas trabalhe mais para equilibrar esses níveis – por meio da produção do hormônio insulina, responsável por carregar a glicose patra dentro das células. No entanto, a nutricionista afirma que quando esses picos glicêmicos acontecem com frequência, o organismo tende a desenvolver resistência ao hormônio. "Dessa forma, o organismo não utiliza a glicose de forma adequada. Assim, sua concentração no sangue aumenta e ocasiona o temido diabetes. Além disso, esse excesso que não chega até as células é armazenado no tecido adiposo, podendo aumentar a gordura corporal e o triglicérides", explica Luciana Guerreiro.

O adoçante

Quem quer abolir o açúcar ou, até mesmo, reduzir seu consumo e ainda assim adoçar as receitas pode recorrer aos adoçantes. Dos naturais aos artificiais, existem diversos tipos de produtos para deixar alimentos e bebidas mais doces. Porém, o uso desses produtos também deve ser feito com cuidado. Um estudo realizado pelo Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, descobriu que alguns adoçantes artificiais, como o aspartame, impedem a ação da fosfatase alcalina intestinal, uma enzima do intestino capaz de auxiliar na prevenção da obesidade. Com isso, ao invés de auxiliar na perda de peso, o substituto do açúcar pode causar obesidade.

Principais tipos de adoçantes:

  • Xilitol: apesar do nome 'estranho', a substância nada mais é do que um adoçante natural encontrado nas fibras de diversos vegetais, entre eles o milho, a framboesa, a ameixa e, até mesmo, alguns tipos de cogumelos. Ele é uma das alternativas mais saudáveis ao açúcar de mesa. "Além de ser menos calórico, o xilitol também exerce um impacto menor sobre a taxa glicêmica do indivíduo, pois é absorvido lentamente. Desta forma, é incapaz de causar alterações rápidas nos níveis de glicose, evitando picos de insulina. Por isso, pode ser usado por diabéticos", explica a nutricionista. Outra função curiosa desse adoçante é sua ação no combate às bactérias da boca, especialmente as que provocam cárie

  • Stevia: esta planta vem sendo utilizada como adoçante há muito tempo pelos índios guaranis. Assim como a sucralose, o corpo humano não digere ou metaboliza o glicosídeo da stevia, um composto que dá um sabor 300 vezes mais doce que o açúcar comum. Segundo Luciana Guerreiro, "desta forma, não há consumo de calorias, pois o glicosídeo de esteviol, elemento que dá origem ao adoçante, não se modifica no trato intestinal e tem um índice glicêmico reduzido a zero, sendo recomendado para os diabéticos"

  • Aspartame: é um adoçante artificial encontrado em muitos produtos industrializados. Sua composição é o que o torna 'perigoso': 40% de ácido aspártico, 50% de fenilalanina e 10% de metanol. Este último elemento presente na fórmula do adoçante serve apenas para unir os dois aminoácidos,s endo capaz de se transformar em um radical livre extremamente perigoso e venenoso, se submetido a temperaturas altas. Já a fenilalanina, de acordo com a nutricionista, também pode ser muito danosa aos diabéticos e às pessoas sensíveis à essa substância, portadoras de uma patologia que rejeita esse elemento, conhecida como fenilcetonúria

  • Sucralose: nem todos sabem, mas este adoçante também é artificial, sendo obtido por meio do processamento do açúcar branco. A sucralose praticamente não tem calorias e não é reconhecida pelo organismo. Com isso, ela não é metabolizada pelo sistema digestivo. Além disso, apesar de ser um composto extremamente doce, este adoçante praticamente não altera a taxa glicêmica e, portanto, não influencia na produção de insulina. De acordo com a especialista, a sucralose não deve ser usada em preparos de temperatura elevada

Tipos de açúcar mais 'saudáveis':

  • Mascavo: este é o primeiro subproduto extraído da cana-de-açúcar e, por isso, conserva alguns nutrientes como cálcio, ferro, potássio e outros sais minerais. Sua coloração é mais escura e a textura é mais arenosa, pois sofre menos processos químicos. Seu sabor é semelhante ao da planta

  • Demerara: esta versão sofre um processo de refinamento leve, ou seja, sem aditivos químicos, o que preserva parte do valor nutricional da cana e ainda confere uma textura mais refinada e clara em relação ao mascavo

  • Orgânico: desde o plantio até a industrialização, esta versão não recebe nenhum aditivo químico. Por isso, ela é altamente nutritiva e capaz de adoçar quase tanto quanto o açúcar refinado

  • Açúcar de coco: feito à base da fruta típica dos países tropicais, este tipo de açúcar ainda não é muito popular. No entanto, é uma aposta promissora, devido ao seu baixo índice glicêmico. A versão conserva um sabor residual do fruto e tem um potencial adoçante menor em relação aos demais

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