Festival de Tiradentes agita mais uma vez a cidade histórica mineira

Completando 20 anos de história, o evento celebra Minas Gerais como símbolo gastronômico do Brasil

por Rafael Rocha 21/08/2017 10:13

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Rodrigo Sampaio/Divulgação
O Largo do Chef, no ano passado: praça deve ficar lotada mais uma vez até o dia 27 de agosto (foto: Rodrigo Sampaio/Divulgação)
Na passarela da gastronomia montada durante toda edição do Festival de Tiradentes já desfilaram nomes estrelados das panelas, como o brasileiro Alex Atala, o peruano Virgilio Martínez e o espanhol Jordi Roca. Mas, assim como na moda, a gastronomia também é feita de ondas e tendências, e valorizar produtos locais tem sido o must há algumas estações. Sorte a dos mineiros. Em sua 20ª edição, o Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes elegeu Minas Gerais como eixo central de sua programação, que se espalha entre os dias 18 e 27 de agosto. "Precisamos valorizar toda nossa diversidade gastronômica, que reúne ingredientes como o café, o queijo, a cachaça, os doces, as cervejas artesanais e tantos outros", diz Rodrigo Ferraz, diretor do festival há sete anos. "Temos de alçar Minas Gerais como um símbolo gastronômico do Brasil", completa. Para fazer valer a intenção de valorizar a gastronomia mineira em todo seu potencial, a organização vai levar até a charmosa cidade da região do Campo das Vertentes pessoas que ajudam a fazer pequenas revoluções em seu contexto local.

Essa é a caminhada da publicitária Milsane de Paula, convidada a mostrar por que a linguiça de jabuticaba feita em Sabará é tão comentada. Outras regiões do estado terão representantes: do Norte chega a chef Ana Estela Marcondes, de Montes Claros; e do Sul, Ari Kespers, dono de pratos intrigantes como a sobremesa que leva maçã com emulsão de lírio do brejo e rapadura. Como Minas Gerais vem ganhando cada vez mais prêmios e medalhas quando o assunto é comida, o festival quer contar algumas dessas histórias. Isabela Paschoal vai explicar como a fazenda DaTerra, em Patrocínio, tornou-se a mais sustentável do Brasil, enquanto a enóloga Isabela Peregrino vai contar o caminho percorrido pelos vinhos mineiros, do descrédito ao recente estrelato internacional.

Angatu/Divulgação
O chef Rodolfo Mayer, do restaurante Angatu,de Tiradentes: conhecido pelo uso de ingredientes brasileiros em seus pratos (foto: Angatu/Divulgação)
Os jantares exclusivos, disputados e caríssimos das primeiras edições ficaram na lembrança. Ao longo do tempo, os festins foram dando lugar a uma programação mais simpática e aberta ao público. "Aquilo era careta, então o festival foi ficando mais despojado, atualizado e mais acessível, mantendo o charme. Hoje as pessoas estão procurando o simples", acredita o organizador. Mas é claro que chefs mais consagrados pelo mercado, como Caetano Sobrinho (A Favorita), Léo Paixão (Glouton), Ivo Faria (Vecchio Sogno), Fred Trindade (Trindade) e Rodolfo Mayer (Angatu), arrematam a lista de cozinheiros. São eles que atraem, todos os anos, um público de várias cidades do Brasil, que se desloca quilômetros para conferir o que anda frequentando as receitas do festival. "Percebi isso somente uns quatro anos atrás, quando parei para conferir as placas dos carros que passavam pela cidade durante o evento. Entendi que tinha gente pegando seu carro e saindo de longe para ir a Tiradentes. Aí minha ficha caiu", comenta Rodrigo.

Como o estado é um grande exportador de mineiros talentosos, uma parte da programação será dedicada a trazer de volta para cá esses embaixadores da nossa culinária pelo mundo. É gente que saiu de Minas e venceu levando nossa culinária para outras fronteiras, como fez Manuelle Ferraz, a chef à frente do Quem Quer Pão 75, em São Paulo. Ela começou conquistando os paulistanos com seu pão de queijo legítimo e conseguiu ampliar o cardápio para o que chama de comida baianeira: pratos que misturam a culinária do Vale do Jequitinhonha - ela é de Almenara - com forte influência baiana, como acontece na região onde ela nasceu. "Faço uma comida de roça com fino trato", orgulha-se a cozinheira. Os paulistanos também foram brindados com as delícias de Iara Rodrigues, sócia do Quitand’arte. Mesmo com sua loja estabelecida e comentada em Belo Horizonte, Iara resolveu baixar as portas e rumar para São Paulo, onde já causa delírio entre os fãs de uma boa quitanda.

Denis Medeiros/Encontro
Do restaurante A Favorita, em Lourdes, o chef Caetano Sobrinho leva suas receitas contemporâneas: responsável por um dos festins (foto: Denis Medeiros/Encontro)
Rodar por muitos rincões do Brasil durante as viagens da Expedição Fartura ajudou a clarear o entendimento de que as atenções da programação gastronômica deveriam se voltar a Minas Gerais, conforme explica Rodrigo Ferraz. "É aqui o lugar onde se come melhor." A opinião é compartilhada por Luiza Fecarotta, a curadora gastronômica do festival, apaixonada pela potência dos sabores mineiros. Além de falar com entusiasmo da variedade de nossos ingredientes - ela consegue gastar uma boa dose de tempo falando de pequi, ora-pro-nóbis e castanha-de-baru -, ela se encanta com o jeitinho mineiro de receber e mexer nas panelas. "Essa capacidade em reter o conhecimento da roça, às vezes com traços de modernidade, e transformar a comida em símbolo do estado, usando de sua hospitalidade, é uma virtude que me chama atenção", diz. Com duas décadas de sucesso e mesa cheia, nada mais justo que um dos principais festivais gastronômicos do país preste esta homenagem a Minas Gerais.

Últimas notícias

Comentários