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Estado de Minas AGRICULTURA

Orgânicos são mais saudáveis, saborosos e livres de pesticida?

Escritor contraria a ideia de que a agricultura orgânica seja o futuro da humanidade


postado em 20/09/2017 08:55

Ninguém duvida que é cada vez mais comum o consumo de frutas, verduras e legumes produzidos de forma orgânica. Eles são tidos como mais nutritivos e saborosos do que os similares produzidos de forma convencional. Isso faz com que esse seja um dos segmentos mais imunes à crise econômica no Brasil. De acordo com estimativas do setor, a venda de alimentos orgânicos cresce a uma média de 30% ao ano e já representa um mercado de quase R$ 3 bilhões.

Apesar de parecer um número expressivo, as vendas de orgânicos chegam a apenas 1% de todo o agronegócio brasileiro – ultrapassa os R$ 500 bilhões por ano.

De acordo com Nicholas Vital, autor do livro Agradeça aos Agrotóxicos por Estar Vivo, trata-se de um segmento que vive de "meias verdades". Ele conta que existem inúmeros mitos sobre os alimentos orgânicos, que, supostamente, não se sustentam aos "olhos da ciência". "É preciso criar um vilão, um inimigo público, para que, em seguida, os comerciantes orgânicos venham vender a solução para o problema pelo triplo do preço. A realidade é que os orgânicos são consumidos exclusivamente pelos mais ricos. 99% da população se alimenta com produtos convencionais e o que vemos hoje são pessoas vivendo mais e melhor", comenta Nicholas Vital.

Abaixo, o autor da polêmica obra cita quatro afirmações que considera serem mitos:

Orgânicos são mais saudáveis

Como mostra Nicholas, pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, divulgaram recentemente uma revisão detalhada de 237 estudos científicos comparativos entre alimentos orgânicos e convencionais publicados em todo o mundo nas últimas quatro décadas. A conclusão foi que, apesar de mais caros, os orgânicos não eram mais nutritivos nem mais seguros do que seus similares produzidos de forma convencional. "Quando iniciamos este projeto, nós imaginávamos que encontraríamos alguns resultados que confirmassem a superioridade dos produtos orgânicos sobre o alimento convencional. Ficamos totalmente surpresos com os resultados", afirma Dena Bravata, um dos responsáveis pelo trabalho, em entrevista ao jornal americano The New York Times.

Orgânicos são mais saborosos

Em 2016, o Instituto de Tecnologia de Alimentos, entidade vinculada à secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, fez uma revisão de milhares de trabalhos científicos comparativos publicados em todo o mundo desde os anos 1950. Mais uma vez, segundo o escritor, os produtos orgânicos e os convencionais foram considerados tecnicamente iguais. "Ambos os argumentos contribuem fortemente para que tais produtos possam ser precificados com valores acima dos produtos convencionais, trazendo prejuízos para os consumidores e também aos produtores", afirma o relatório do instituto.

Orgânicos são mais sustentáveis

Nicholas Vital critica a associação da palavra "orgânico" com sustentabilidade. Segundo ele, como são cultivados de forma 'rudimentar', sem a adoção de tecnologias ou aditivos químicos, a produtividade dos alimentos orgânicos é significativamente menor, ou seja, exigem mais áreas para produzir a mesma quantidade de alimentos. O autor afirma que, para se produzir milho orgânico na mesma proporção que o tradicional, seriam necessários 38,1 milhões de hectares. O que ocuparia uma área maior que Roraima e que o Acre.

Orgânicos são livres de químicos

Uma O escritor lembra que, apesar de serem considerados livres de pesticidas ou aditivos químicos, os orgânicos usam produtos naturais ao invés de ingredientes ativos. "Isso, no entanto, não quer dizer que eles não sejam tóxicos. Existem centenas de substâncias perigosas, como enxofre, sulfato de cobre, piretrina, carvão e pó de fumo, que são largamente utilizadas no cultivo de alimentos orgânicos", comenta Nicholas. Ele exemplifica com o pesticida natural mais usado nas plantações orgânicas brasileiras: o óleo de neem. Ele é obtido a partir da prensagem a frio de sementes da espécie Azadirechta indica, originária da Índia. "Ele possui mais de 150 compostos bioativos. Se é eficiente contra os insetos, também pode ser fatal para o homem", diz o autor.

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