Pesquisa descobre ações anti-inflamatória e antioxidante em 'berries' típicas da Mata Atlântica

Frutas como araçá-pitanga, grumixama e ubajaí têm alto potencial farmacológico e fazem muito bem para o organismo

por Encontro Digital 14/11/2017 13:28

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Wikimedia/B.navez/Reprodução
A grumixama é uma fruta do tipo 'berry', endêmica da Mata Atlântica, e que mostrou alto potencial anti-inflamatório e também antioxidante (foto: Wikimedia/B.navez/Reprodução)
As frutas pouco conhecidas dos brasileiros, como bacupari-mirim, araçá-piranga, cereja-do-rio-grande, grumixama e ubajaí podem não ser compradas nos supermercados, mas, se depender de suas propriedades bioativas, em questão de tempo, elas poderão estar não só disputando espaço nas gôndolas como ganhando posição no ranking dos alimentos da moda.

Isso porque, segundo uma pesquisa desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de La Frontera, no Chile, além dos valores nutricionais, as cinco frutas nativas da Mata Atlântica têm elevadas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Os achados foram publicados na revista científica Plos One.

"Não havia muito conhecimento científico sobre as propriedades dessas frutas nativas. Agora, com os resultados do nosso estudo, a ideia é fazer com que elas sejam produzidas por meio da agricultura familiar, ganhem escala e cheguem aos supermercados. Quem sabe elas não se tornam um novo açaí?", comenta Severino Matias Alencar, pesquisador do departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Esalq, fazendo referência ao sucesso comercial do açaí, fruta amazônica com grande quantidade de antioxidantes e que, hoje, tem a polpa exportada do Brasil para vários países.

No estudo da Esalq foram avaliados os compostos fenólicos – estruturas químicas que podem ter efeitos preventivos ou curativos – e os mecanismos anti-inflamatórios e antioxidantes do extrato de folhas, sementes e polpa de quatro frutas do gênero Eugenia e uma do gênero Garcinia: araçá-piranga (E. leitonii), cereja-do-rio-grande (E. involucrata), grumixama (E. brasiliensis), ubajaí (E. myrcianthes) e bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis) – todas típicas da Mata Atlântica.

Como elas são espécies difíceis de serem encontradas e algumas estão em risco de extinção, as plantas foram fornecidas por dois sítios localizados no interior de São Paulo. As duas propriedades comercializam as plantas com o objetivo de preservação das espécies. Um dos produtores possui a maior coleção de frutas nativas do Brasil, somando mais de 1,3 mil espécies plantadas.

"Começamos nosso estudo prospectando as propriedades bioativas das frutas, pois sabíamos que elas poderiam ter boa quantidade de antioxidantes, assim como são as chamadas 'berries' americanas, como o mirtilo, a amora e o próprio morango, muito conhecidas pela ciência. Mas, nossas frutas nativas se mostraram ainda melhores", afirma Severino Alencar.

De acordo com o estudo, as espécies do gênero Eugenia têm um vasto potencial econômico e farmacológico evidenciado não só pelo número de publicações científicas, mas também pela exploração comercial de suas frutas comestíveis, pela madeira, pelos óleos essenciais e o uso como plantas ornamentais.

Elas são exemplos de alimentos funcionais, que, além das vitaminas e valores nutricionais, têm propriedades bioativas como o combate aos radicais livres, que provocam danos ao organismo, especialmente o envelhecimento celular.

(com Agência Fapesp)

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