Consumo excessivo de sal afeta diretamente as bactérias do intestino

O sódio pode matar micro-organismos benéficos que evitam inflamações e até hipertensão

por Correio Braziliense 17/11/2017 11:10

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Além dos inúmeros danos à saúde causados pelo consumo excessivo de sódio, cientistas descobriram que esse tempero também pode afetar as bactérias benéficas que vivem no intestino (foto: Pixabay)
Não é de hoje que os malefícios causados pelo consumo excessivo de sal, especialmente o aumento da pressão arterial, são atestados pela ciência e amplamente divulgados pelos meios de comunicação. Desta vez, uma equipe de pesquisadores da Alemanha decidiu investigar os efeitos desse tempero em nossa flora intestinal. Nos experimentos feitos com ratos, foi detectado que uma dieta rica em sódio não só reduz a quantidade de bactérias na microbiota do intestino, como propicia o surgimento de doença inflamatória e cardiovascular. Os achados foram publicados na revista científica Nature.

"Uma vez que todos comemos sal todos os dias, em cada refeição, ficamos surpresos com o fato de que ninguém ainda havia feito essa pergunta simples: o sal pode afetar os micróbios intestinais?", comenta Dominik Muller, autor principal do estudo e pesquisador do Centro Max-Delbrück de Medicina Molecular, da Alemanha, em entrevista para o Correio Braziliense. Para esclarecer essa dúvida, o cientista alemão, juntamente com sua equipe, compararam amostras fecais de ratos alimentados com uma dieta com quantidade normal de sódio e de roedores que seguiram um regime com alto teor de sal.

Os investigadores colheram e analisaram as amostras das cobaias diariamente, durante três semanas. A partir do 14º dia, descobriram redução significativa de espécies microbianas na flora intestinal dos roedores que foram alimentados com sal em excesso. Por meio de técnicas de sequenciamento de DNA e análises computacionais, identificaram as bactérias Lactobacillus murinus, do gênero Lactobacillus, como o grupo mais atingido. "Como esse grupo de bactérias também é conhecido por afetar o sistema imunológico, resolvemos nos aprofundar e desvendar os detalhes envolvidos em sua redução", afirma Dominik Muller.

Em outra etapa dos testes, os cientistas observaram que a introdução do Lactobacillus murinus na dieta dos roedores reduziu a quantidade de células TH17, relacionadas à hipertensão, e impediu o agravamento de encefalomielite autoimune experimental, um modelo de inflamação do cérebro relacionada ao excesso de sal. "Curiosamente, descobrimos que o Lactobacillus atuou como um tipo de inibidor de TH17 em camundongos, algo que nos surpreendeu bastante", ressalta o líder do estudo.

Na terceira fase da pesquisa, a equipe contou com a participação de um pequeno grupo de humanos nas intervenções. Com isso, os pesqusiadores alemães descobriram que o aumento da ingestão de sal reduziu a sobrevivência intestinal de múltiplas espécies de Lactobacillus, aumentando a quantidade de células TH17 e elevando a pressão arterial.

Apesar dos resultados, os cientistas do Centro Max-Delbrück de Medicina Molecular acreditam que mais estudos com humanos são necessários a fim de comprovar a relação das bactérias Lactobacillus murinus com os problemas inflamatórios e cardiovasculares. "Precisamos analisar um número maior de pacientes para confirmar essa suspeita, esse é um dos nossos planos. Realizaremos ensaios clínicos maiores, controlados com placebo, que analisarão o efeito de bactérias do gênero Lactobacillus sobre a pressão arterial e a polarização com as células TH17. Essa função imunomoduladora pode ser interessante para tratar doenças inflamatórias, o que poderá trazer ganhos na área médica", comenta Muller ao Correio.

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