Descubra alguns mitos e verdades sobre os vinhos

Quanto mais velho, melhor? Vinho tinto deve ser servido em temperatura ambiente? Confira as respostas!

por Da redação com assessorias 15/01/2018 10:01

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(foto: Pixabay)
Desde a época em que as festas regadas a vinho eram dedicadas ao deus greco-romano Baco, esta bebida alcoólica vem conquistando cada vez mais adeptos em todo o mundo. Atualmente, existem diversos tipos de vinhos (rosé, branco, verde, laranja, de sobremesa etc.) que agradam diferentes paladares. Apesar de ser muito apreciado, ainda existem alguns mitos envolvendo o mundo da enologia.

Um exemplo de mito muito comum é o que diz que "quanto mais velho, melhor o vinho". Será verdade que o envelhecimento é um fator essencial para a qualidade do produto?

Para quem não abre mão do "ritual" que é a degustação de uma taça de vinho, conversamos com Joca Ururahy, sócio-fundador da House of Wine, para desvendar alguns mitos e verdades sobre a bebida:

Vinho faz mal para a saúde bucal
mentira. Segundo o especialista, a bebida é boa para os dentes e para a gengiva, ajudando a combater as bactérias que podem causar cáries e doenças periodontais. Só é rpeciso uma boa higienização após o consumo, para evitar manchas no esmalte do dente.

Uma taça de vinho por dia faz bem
Verdade. Dievrsos estudos comprovam que o consumo de uma taça de vinho por dia traz inúmeros benefícios para o organismo, especialmente para o sistema cardíaco, prevenindo problemas e ajudando a estimular a circulação sanguínea. "Por conta do resveratrol, que é uma fitoalexina, encontrada em maior quantidade em vinhos tintos, a bebida mantém a pele mais elástica e vitaminada, além de reduzir a obesidade e o sobrepeso ao envelhecer", esclarece Ururahy. Essa propriedade se deve ao antioxidante natural presente no vinho, que é capaz de neutralizar os radicais livres responsáveis pelo envelhecimento – oxidação das células da pele. "Mas, vale lembrar que a diferença entre veneno e remédio é a dose. Portanto, é recomendado moderação".

Os melhores vinhos são os mais caros
Meia-verdade. O especialista lembra que a relação preço e qualidade, não necessariamente representa algo factível. "O valor da bebida se deve por conta da adega ou produtor que criou o vinho, ou seja, quanto mais prêmios e notoriedade, maior o preço da garrafa. Também encarece o vinho o investimento realizado no processo de fabricação, como os de guarda, que utilizam barrica de carvalho de primeiro uso para sua fabricação", comenta Joca Ururahy. Ele lembra que, no entanto, existem vinhos mais baratos produzidos por produtores não tão conhecidos, com processos inovadores, que agreguem técnica no processo de envelhecimento, que conseguem ser tão qualificados quanto os mais caros.

Rótulos e garrafas especiais com so dizeres 'Colheita Selecionada', 'Seleção Especial' ou 'Reserva' indicam bons vinhos?
Mito. "Tanto no caso da garrafa quanto no caso das mensagens do rótulo são utilizadas mais como chamariz para atrair o público do que, propriamente, como um indicador da qualidade da bebida". O especialista esclarece que a rotulagem varia de país para país, levando em conta também a Denominação de Origem Controlada (DOC), bem como a legislação vigente. "Como no caso do Chile, em que o vinho tem que passar tantos meses em barrica para envelhecer".

Países quentes não produzem vinho
Mito. Joca explica que a uva precisa é de amplitude térmica, ou seja, dias quentes e noites frias para ficar boa. "Brasil, Israel e Marrocos são alguns dos países que colocaram fim a esse mito". Quando se trata de um terreno muito árido, a diferença é que a irrigação precisa ser controlada, para se ter bons vinhos.

As melhores bebidas estão nas garrafas com rolha de cortiça
Meia-verdade. "É inegável que abrir uma garrafa com rolha de cortiça é quase um ritual sagrado para os enófilos, mas, isto não significa que os vinhos vedados desta forma são melhores", esclarece o especialista.Ele afirma que muitos produtores buscam alternativas que não interfiram na qualidade do vinho e que sejam sustentáveis, no caso, a tampa de rosca (screwcap, em inglês). Outra questão relacionada às rolhas tradicionais é quando ocorre o aparecimento de tricloroanisol. Neste caso, um defeito na vedação provoca o ataque de fungos que tornam o aroma da bebida desagradável na bebida – o problema é conhecido pela expressão francesa bouchonée. "Estudos comprovam que a tampa de rosca [screwcap] possui vedamento melhor do que a rolha. Por isso, é mais recomendada para vinhos mais jovens, para consumo rápido. Já a rolha é mais indicada para vinhos mais envelhecidos, por conta da micro oxigenação, que faz a bebida evoluir", comenta Joca Ururahy.

Existe vinho branco produzido com uvas que não são brancas
Verdade. O especialista lembra que a bebida pode ser produzida com uvas tintas porque a coloração final se deve ao uso da casca. "Basta que, no processo de maceração, quando é extraído o suco da fruta, que é incolor, a casca não fique em contato com o líquido. O resultado será um vinho branco".

Qualquer vinho pode ser envelhecido
Mito. A frase "quanto mais velho, melhor o vinho" nem sempre pode ser aplicada, segundo Joca. "Atualmente, são poucos os vinhos que se aprimoram com o tempo na adega. A maioria deve ser consumida entre dois e cinco anos após a produção. Os pilares para um bom envelhecimento são os taninos, acidez e a fruta. Normalmente, são os vinhos tintos de grandes vinícolas ou os 'premium' que ganham qualidades com o tempo".

O vinho tinto deve ser servido em temperatura ambiente
Mito. "Cada vinho tem sua temperatura ideal, portanto, não existe uma regra", afirma o especialista. Ele sugere que.quanto mais fresca a bebida, mais resfriada deve ser servida. Para as que são mais encorpadas, o ideal é consumir em temperatura ambiente. "A indicação é consumir espumantes entre 4º C e 6º C; vinhos brancos entre 8º C e 10º C; e tintos entre 15º C e 18º C".

A melhor forma de armazenar a bebida é na adega
Mito. "O importante ao armazenar um vinho é não ter incidência de Sol, além de o local não sofrer com grandes variações de temperatura e umidade". Porém, Joca Ururahy recomenda as adegas climatizadas , parecidas com geladeiras, para quem gosta de ter vinhos em casa. "No caso, algumas funcionam como reguladores de temperatura externa, que são as do tipo 'geladeira', com regulagem mais precisa e termostato mais fiel, e as que fazem controle de temperatura e umidade, mais indicada para os vinhos chamados de guarda, auxiliando a rolha a ficar em condições apropriadas para manter o líquido perfeito ao longo dos anos".

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