Estudo cria técnica para identificar adulterantes no café moído

Pesquisa da Embrapa facilita a identificação de milho, cevada e outros adulterantes no produto mais consumido no Brasil

por Encontro Digital 14/02/2018 10:15

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Pixabay
(foto: Pixabay)
Todo mundo sabe que o pó de café mais barato, vendido no Brasil, não é composto de 100% dos grãos que fazem parte de nosso dia a dia. Porém, uma pesquisa feita pela Embrapa Agroindústria de Alimentos, do Rio de Janeiro, vai facilitar a detecção de materiais vegetais diversos adicionados ao café torrado e moído. As novas técnicas permitirão aos órgãos de fiscalização e de controle de qualidade detectar, com mais eficácia, adulterantes misturados ao produto.

De acordo com os pesquisadores Edna Maria Moraes Oliveira e Otniel Freitas Silva, da Embrapa, chefes do estudo, os métodos que acabam de desenvolver apresentaram rapidez, precisão e especificidade para detectar e identificar os adulterantes mais comuns adicionados ao café torrado e moído, como milho, arroz e cevada. Também mostraram capacidade de aferir a quantidade de adulterante presente em cada amostra além de alta sensibilidade, capaz de detectar até pequenas quantidades de adulterantes.

No estudo foram usados marcadores moleculares, selecionados da cadeia genética (DNA) dos adulterantes mais comuns. Normalmente, eles são torrados e moídos junto com o café, são de difícil detecção pelos métodos utilizados atualmente, baseados na visualização por microscopia e macroscopia das características visuais de cores e imagens de cada produto adulterante em teste, o que depende muito da experiência do analista.

"Os métodos convencionais não são específicos para café ou para os adulterantes mais utilizados nesse produto, ou seja, não permitem identificar os adulterantes individualmente. Já a técnica PCR [usada pela Embrapa], em tempo real, vem sendo amplamente utilizada para a análise de sequências específicas de DNA de diferentes matrizes alimentares", ressalta Edna Oliveira. A PCR, sigla para reação em cadeia da polimerase, é uma das técnicas mais utilizadas em laboratórios de pesquisas médicas e biológicas.

A pesquisa da Embrapa do Rio de Janeiro estudou a fragmentação das moléculas dos adulterantes por meio da quebra das moléculas dos açúcares no espectrômetro de massas. "Isso gera quebras em fragmentos específicos correspondentes ao peso molecular de cada substância-alvo, pois a estrutura de cada açúcar é diferente [para cada adulterante]", explica a pesquisadora Ana Cristina Gouvea, colaboradora do projeto. Para chegar a esse resultado, a equipe dedicou especial atenção ao aperfeiçoamento da etapa de extração, buscando alcançar um processo muito seletivo. "O segredo está na extração e purificação que garantam que outras substâncias não estejam presentes e 'encubram' os marcadores. Com o aperfeiçoamento da extração, conseguimos observar os íons requeridos, os marcadores", completa. Depois, foi testada com sucesso a detecção desses marcadores em amostras de café misturadas com adulterantes em proporções de 0,2%, 1%, 5% e 25%. "É um método robusto e de alta sensibilidade. Foi capaz de detectar a presença de apenas 0,2% de adulterante", comenta a especialista.

(com portal da Embrapa)

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