Existe diferença de nutrientes entre os vegetais orgânicos e os tradicionais?

Especialista fala sobre como o método de produção pode afetar frutas, legumes e verduras

por Da redação com assessorias 28/03/2018 10:47

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Como mostra o especialista, a única diferença entre os produtos orgânicos e os convencionais é o método de adubação e combate às pragas nas lavouras (foto: Pixabay)
Atualmente, cada vez mais pessoas se preocupam com os alimentos que consomem, em especial o valor nutricional de cada produto. Gordura, açúcar, vitaminas e sais minerais estão presentes em frutas, legumes e verduras que compramos em feiras e supermercados. Mas, será que existe diferença de nutrientes entre os vegetais cultivados da forma tardicional e os orgânicos?

Segundo o engenheiro agrônomo e florestal Valter Casarin, da organização global Nutrientes para a Vida, o potencial nutritivo dos alimentos nãoe stá ligado á forma de produção. "É comum ouvir as pessoas comentarem que o alimento orgânico é mais seguro, mais saudável e mais saboroso do que o produzido no sistema convencional. Pesquisa realizada por um grupo de nutrólogos britânicos, e publicada no American Journal of Clinical Nutrition, avaliou todos os trabalhos realizados nos últimos 50 anos sobre o assunto, os quais comparavam os alimentos produzidos no sistema orgânico aos produzidos no sistema convencional. O estudo concluiu que não há evidências de que os alimentos produzidos organicamente são nutricionalmente superiores aos alimentos produzidos no sistema convencional", esclarece o especialista.

Ele explica que as plantas absorvem os nutrientes de formas específicas, independentemente do tipo de adubação utilizada, orgânica ou mineral. "Assim, por exemplo, para a planta absorver o nitrogênio, este nutriente deve estar na forma amoniacal ou nítrica. É necessário que estas formas estejam disponíveis no solo para que a planta possa absorvê-las e, assim, incorporar o nitrogênio em seu processo metabólico e sintetizar os aminoácidos e, posteriormente, as proteínas. Devemos saber aplicar corretamente e com responsabilidade as fontes de nutrientes ao solo, visando manter a integridade do meio-ambiente", comenta o engenheiro agrônomo.

Para a produção de alimentos é fundamental avaliar se o solo apresenta todos os nutrientes necessários para o correto crescimento da lavoura. "Se o solo não dispõem de todos os nutrientes que as plantas necessitam para um adequado desenvolvimento, é preciso fornecê-los por meio da adubação, que é calculada de maneira muito simples: deve-se adicionar ao solo a quantidade de nutrientes que a planta necessita subtraída da quantidade disponível existente no solo", explica Valter Casarin.

Nos fertilizantes orgânicos, a liberação de nutrientes ocorre de forma mais lenta e nem sempre sincronizada com a demanda das plantas. Algumas vezes, para esse tipo de fertilizante, é difícil calcular a quantidade correta de nutrientes a ser aplicada. Porém, são produtos que favorecem muito as caraterísticas físicas do solo e a atividade microbiana. Já com a utilização do adubo mineral, conforme o especialista, é possível dosar a quantidade exata de nutrientes a ser aplicada para o perfeito cultivo das plantas. Outra grande vantagem do fertilizante mineral é a rapidez com que os minerais são absorvidos pelas plantas, favorecendo o seu processo de crescimento.

Normalmente, as culturas cultivadas no sistema convencional apresentam maior produtividade devido à adubação mais balanceada e à rápida disponibilização de nutrientes no solo, além do melhor controle de pragas e doenças. "Nesse caso, são reduzidos os fatores que podem afetar negativamente a produtividade, o que permite que as plantas se desenvolvam de forma mais eficiente e adequada. Podemos comparar a nutrição de uma planta à nutrição do homem. O seu desempenho vai ser maior se ele estiver bem alimentado e livre de doenças. Quanto mais sadio, maior será seu desenvolvimento. O mesmo acontece com as plantas", comenta Casarin.

Sobre a questão da preservação do meio-ambiente, o engenheiro agrônomo explica que o fertilizante, seja orgânico, seja mineral, se for aplicado corretamente, na dose correta, no local correto e na época certa, permitirá melhor aproveitamento pela planta, reduzindo ou mesmo eliminando as perdas para a natureza. "Tudo aquilo que está em excesso é prejudicial ao ambiente", diz.

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