Produtores querem aumento da porcentagem de cacau no chocolate brasileiro

Além disso, existe também intenção de melhorar a qualidade do fruto produzido no país

por Encontro Digital 22/03/2018 16:48

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Além de aumentar a porcentagem mínima de cacau no chocolate produzido no Brasil, agricultores querem incentivo para produzir frutos de melhor qualidade (foto: Pixabay)
Em audiência pública realizada na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, na quarta, dia 21 de março, todos os participantes concordaram que é preciso aumentar o percentual mínimo de cacau no chocolate vendido no Brasil. A ideia faz parte do Projeto de Lei do Senado (PLS) 93, de 2015, que pretende o percentual de cacau nos produtos nacionais passe de 25 para 35%. Em outros países, a quantidade varia de 32% a 35%.

Segundo Ricardo Gomes, diretor do Programa Bahia do Instituto Arapyau, o projeto, de autoria da senadora Lídice da Mata (PSB-BA), terá grande contribuição para a economia brasileira, além de proporcionar desenvolvimento regional por meio da geração de emprego para as populações das áreas produtivas. Em nível social, as definições da proposta contribuirão para a saúde pública, visto que quanto mais cacau tem o chocolate mais nutritivo ele é.

"O projeto proporcionará todo o benefício revestido ao consumidor, gerando impacto na economia; trazendo o aspecto da saúde; propondo o desenvolvimento regional; e, por fim, podendo ajudar uma agenda do país com a questão do clima", diz Ricardo.

Apesar de ser favorável ao aumento do percentual, Cristiano Villela, diretor-executivo do Centro de Inovação do Cacau, defende que é preciso ter cautela na implementação do projeto. Ele afirma que toda a cadeia produtiva deve ser avaliada de forma holística com análises de impactos em cada área.

Incentivos agrícolas

Os participantes da audiência também sustentaram que a produção brasileira de cacau fino requer a concessão de crédito rural para os produtores do setor. Os debatedores apontaram que o aumento da produtividade brasileira passa por uma qualificação do cacau, que implica em mais despesas na produção.

De acordo com Cristiano Villela, há uma tendência global de valorizar a origem e a qualidade dos produtos, o que se aplica ao chocolate. Segundo ele, enquanto o mercado gourmet cresce cada vez mais, o Brasil, infelizmente, ainda não está no mapa do cacau fino da Organização Internacional do Cacau (ICCO, sigla para The International Cocoa Organization). "Não adianta falar de qualidade de cacau, de chocolate se não tiver crédito para o produtor investir. Produzir cacau de qualidade custa um pouco mais caro, mas compensa", diz o diretor.

Para José Vivaldo Souza de Mendonça, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do estado da Bahia, além de receber incentivos agrícolas para especializar a produção, os produtores devem também focar no desenvolvimento da indústria. "É preciso agro-industrializar, é preciso verticalizar [a produção] e parar de vender commodities", comenta.

A questão da tecnologia, segundo Marco Lessa, presidente da Costa do Cacau Convention Bureau, também é um ponto chave para a elevação da produção e da escala de qualidade do cacau. Para ele, a oferta tecnológica para o processamento da fruta deve ser mais diversificada.

(com Agência Senado)

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