Pesquisa encontra substâncias antioxidantes e anti-inflamatórias em frutas típicas do Brasil

Araçá-boi, cambuití-cipó, murici vermelho, morango silvestre e cajá são exemplos

por Encontro Digital 25/04/2018 10:58

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Mercado Livre/Reprodução
Frutas típicas do Brasil, como o araçá-boi, são ricas em compostos fenólicos, que possuem ação antioxidante e anti-inflamatória, segundo estudo feito na USP (foto: Mercado Livre/Reprodução)
Com sua dimensão continental e diferentes tipos de climas, o Brasil possui inúmeras frutas nativas. Muitas delas são ricas em substâncias antioxidantes e anti-inflamatórias, bem como de uma grande diversidade de compostos fenólicos, que ajudam nossa saúde. Um estudo feito pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, em parceria com a Universidade de Campinas (Unicamp), avaliou o potencial antioxidante, anti-inflamatório e a composição fenólica de 10 frutas típicas do país e ainda pouco conhecidas pela Ciência, como o cajá e o cambuci.

"O Brasil possui condições climáticas adequadas para o desenvolvimento de um grande número de frutas nativas. Essa biodiversidade tem se tornado um caminho promissor para a descoberta de novos compostos bioativos capazes de ser utilizados na formulação de alimentos funcionais e medicamentos", comenta engenheira de alimentos Jackeline Cintra Soares, principal autora da pesquisa.

Segundo a cientista da Esalq, os compostos fenólicos apresentam ações específicas, podendo atuar como antioxidantes e anti-inflamatórios, prevenindo doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares e o diabetes. "Nosso objetivo foi avaliar a capacidade desativadora de espécies reativas de oxigênio e nitrogênio, atividade anti-inflamatória in vitro e in vivo e a composição fenólica. A técnica utilizada foi a espectrometria de massas de alta resolução, realizada em 10 frutas nativas brasileiras", afirma Jackeline.

Foram analisadas os seguintes frutos: araçá-boi (Eugenia stipitata); cambuití-cipó (Sagerectia elegans); murici vermelho (Bysonima arthropoda); murici guassú (Byrsonima lancifolia); morango silvestre (Rubus rosaefolius); cambuci (Campomanesia phaea); jaracatiá-mamão (Jacaratia spinosa); juquirioba (Solanum alterno-pinatum); fruta-do-sabiá (Acnistus arborescens); e cajá (Spondias mombin L.). As amostras foram coletadas num sítio localizado na cidade de Campina do Monte Alegre (SP), exceto o cajá, que foi coletado em Montes Claros de Goiás (GO).

A pesquisa identificou vários compostos fenólicos, incluindo os flavonoides (ajudama  dar cor às frutas) catequina, epicatequina, rutina, quercetina glicosilada, kaempeferol glicosilado, quercetina, procianidina B1 e procianidina B2. Das frutas analisadas, o araçá-boi, o cambuití-cipó, o murici vermelho, o morango silvestre e o cajá foram as que apresentaram as maiores atividades antioxidantes e/ou anti-inflamatórias, com a presença de 18 compostos no araçá-boi; 32 no cambuití- cipó; 26 no murici vermelho; e 20 compostos no morango silvestre; e 11 no cajá.

Nas frutas cambuití-cipó, murici vermelho e morango silvestre também foi possível a identificação e quantificação de antocianinas, sendo que no cambuití-cipó foi identificada a kuromanina e a mirtilina. Já para o murici vermelho e o morango silvestre, somente a kuromanina foi encontrada. "Esta é a primeira vez que se relata a presença destas antocianinas no cambuití-cipó e murici vermelho. Portanto, as frutas nativas estudadas apresentam compostos bioativos com atividades antioxidante e anti-inflamatória e, quando consumidas regulamente como alimentos funcionais, poderiam ajudar na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis", esclarece a engenheira de alimentos da USP.

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) publicado em 2017 recomenda um mínimo de 400 gr de frutas e vegetais por dia (excluindo batatas e outros tubérculos) para a prevenção de doenças crônicas, como doenças cardíacas, câncer, diabetes e obesidade, especialmente em países menos desenvolvidos.

Para Jackeline Soares, "existe a necessidade de se buscar novos alimentos que, além de nutrir, apresentem atividades biológicas que possam inibir ou amenizar danos oxidativos relacionados a processos inflamatórios, limitando assim a progressão de certas doenças de origem metabólica e degenerativas prevalentes, principalmente quando se considera que estamos em um país detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta".

(com Divisão de Comunicação da Esalq e Jornal da USP)

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