Clubes de café ganham cada vez mais adeptos em BH

Na onda de clubes como os de vinho e de livros, as assinaturas de café também conquistam fãs. Comodidade e curadoria são os principais atrativos do serviço

por Marina Dias 10/08/2018 17:18

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Ronaldo Dolabella/Encontro
O administrador Guilherme Teixeira assina cafés para ser surpreendido por novos produtos: "Sou uma pessoa tradicional, então é também uma forma de experimentar novas opções", diz (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Toca o despertador, começa o dia. Corrido, como sempre, mas sem faltar tempo para o sagrado cafezinho. Para os fãs da bebida, o café da manhã é um momento prazeroso, com um preparo cuidadoso e tempo de apreciar aromas e sabores. Nada de beber qualquer marca, rapidinho, só para acordar. É assim que o publicitário Samuel Silva começa o dia. "Gosto de moer na hora, toda manhã. É meu ritual", afirma. Para facilitar sua vida de entusiasta do café, Samuel resolveu participar de um clube de assinatura há três anos e não saiu mais.

Atualmente, os fãs contam com uma grande variedade de clubes, com o funcionamento mais ou menos parecido: o assinante recebe em casa, todo mês, um pacote diferente. Os rótulos são selecionados. Há opções de peso (250 g ou 500 g, normalmente), torra e tipo. No caso de Samuel, que aprecia a moagem na hora, ele recebe o café em grãos. Mas há opções do café já moído e, em alguns clubes, até em cápsulas. "O clube sempre escolhe bons cafés, então confio que vou ficar satisfeito com as opções", diz. "E é uma decisão a menos que tenho de tomar no mês."

Ronaldo Dolabella/Encontro
O publicitário Samuel Silva, que não fica sem o ritual de fazer café pela manhã, aprova a seleção feita pelo clube que assina: "É uma decisão a menos que tenho de tomar no mês", explica (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Os clubes de assinatura vêm ganhando mais adeptos nos últimos anos em BH, crescendo juntamente com o interesse em cafés gourmet e a abertura de cafeterias especiais na cidade. Assim como os fãs de vinhos ou de cervejas, o de um bom café costuma se interessar por rótulos diferentes, terroirs variados, sabores surpreendentes. Mas com duas diferenças importantes: dificilmente encontra produtos diferenciados em supermercados - precisa ir a lojas especializadas - e, por não ser uma bebida alcoólica, consome doses diariamente e até várias vezes ao dia, ou seja, precisa comprar com frequência.

"Em supermercado é raro achar café em grão de qualidade. Eu comprava às vezes até em São Paulo, mas o frete ficava muito caro", diz a cirurgiã-dentista Adriana Duarte, que é assinante há um ano. Desde que recebeu a indicação do clube em um curso de barista que fez no ano passado, tem aproveitado para conhecer diferentes produtores, treinar o paladar e fazer da hora do cafezinho uma verdadeira degustação. "Eu escolho as características que mais me agradam, para receber cafés ao meu gosto, e aviso quando algum específico não me agradou", diz. A relação com o clube é bem próxima."

Violeta Andrada/Encontro
A cirurgiã-dentista Adriana Duarte, assinante há um ano: "Em supermercado é raro achar café em grão de qualidade. Eu comprava às vezes até em São Paulo, mas o frete ficava muito caro" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Os clubes costumam dar a opção de comprar cafés avulsos, quando o cliente gosta muito de um rótulo. Em alguns, é possível também alterar o café que chega mensalmente, escolhendo receber de novo um produto de que se tenha gostado. Há aqueles que mandam o mesmo tipo para todos os assinantes e os que focam na personalização, como é o caso do mineiro UCoffee. "Temos uma ferramenta que indica cafés para os clientes. É um software de inteligência artificial que monitora o consumo, entende o gosto e traz os cafés mais próximos do gosto de cada um", explica o fundador, Rodrigo Belisário. "Pouco a pouco, os clientes começam a entender mais a fundo e podem também fazer interferências nos pedidos."

Com o tempo e a experiência, os clientes vão desenvolvendo um paladar mais apurado, mais gosto pelo processo e, consequentemente, vão migrando de planos, afirma Daniel Cabral, cofundador da Noete, primeiro clube de assinatura em Minas. "Quando começamos, a grande maioria pedia 250 g de café moído", afirma. "Três anos depois, muitos dos que começaram assim já estão no plano de 500 g em grãos. Também já compraram prensa francesa, moedor, estão envolvidos com o café mesmo." Isso aconteceu com o administrador Guilherme Teixeira, que assina há dois anos e evoluiu de justamente 250 g para 500 g, e de moído para grãos. Além da comodidade, ele valoriza a curadoria do clube, que, ao selecionar cafés de boa procedência e qualidade, pode surpreender na escolha. "Sou uma pessoa tradicional, então essa é também uma forma de experimentar novas opções", diz. A assinatura não fez com que Guilherme parasse de passar na cafeteria vez ou outra para conhecer novidades. Afinal, não tem hora para se tomar um bom café..

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